Edital NOVÍSSIMOS 2018


O Instituto Brasil Estados Unidos - Ibeu, através de seu Centro Cultural, torna público o edital de seleção para a 47ª edição do Salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS, destinado a artistas de todo o território nacional, tendo como proposta reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira, em suas variadas vertentes.

As inscrições são gratuitas e abertas a artistas brasileiros e estrangeiros, legalmente residentes no Brasil há pelo menos 2 (dois) anos, e acontecerão no período de 9 de abril a 6 de maio de 2018.

Acesse o edital e a ficha de inscrição em nossos links do Google Drive:

LINK EDITAL:
Arquivo em pdf disponível para leitura/download/impressão. Não é necessário encaminhar o arquivo do Edital com a sua inscrição.
https://drive.google.com/file/d/1QQgSNAyfgJI985I10I5nJLYHvMBK9eYn/view?usp=sharing


LINK FICHA DE INSCRIÇÃO:
Baixe o arquivo no link abaixo, preencha com os seus dados e envie juntamente com as informações solicitadas no Edital. Não é necessário manter fontes ou formatação da ficha de inscrição. Preencha como achar necessário.

Caso não consiga baixar os arquivos acima, entre em contato pelo novissimos2018@gmail.com que enviaremos o edital e a ficha de inscrição para o seu email.

Boa sorte!

A Partir do Espelho - Texto de Cesar Kiraly para a individual de Jozias Benedicto


1. As últimas iniciativas do Jozias Benedicto são profundamente marcadas pelo serialismo automático. Ele se propõe curiosa disciplina de criação seguindo regras explícitas. Apesar de colorida e solar, há algo de monacal na rotina escolhida. Nas performances, faz cercar o acaso com princípios extraídos da história da arte ou da literatura, para então se permitir associar com os termos da referência. Não se trata de se desfazer das inibições para a expressão inconsciente, porém de variar, sob olhos, nas regiões da interioridade estabelecidas pelo convênio com outras obras de arte.

2. Nesta individual, Jozias escolhe duas referências como âmbito dentro do qual a sua escrita espontânea precisa funcionar. A primeira é o On The Road do Jack Kerouac e a segunda é o Através do Espelho e o que Alice lá Encontrou do Lewis Carroll. A proposta demanda preparação, o artista, como um atleta da apnéia, habita o primeiro livro, sob múltiplos tempos de leitura. A feitura acontece numa performance, em que escreve tudo o que lhe ocorre sob evocação do texto. A dinâmica dura mais ou menos duas horas. A escrita acontece com tinta escura sobre telas claras preparadas. O resultado conta com relevos leves, do acréscimo diretamente do tubo, e as pequenas telas são distribuídas em linha a envolver a galeria de ponta à ponta. As excedentes crescem em colunas a duplicarem as interrupções do espaço expositivo.

3. A galeria inicia vazia. Jozias trabalha em um dos cantos numa mesa de escritório. Um assistente retira as telas prontas, escritas, e as coloca na parede sequencialmente. A ele também cabe a função de alimentar a atividade de materiais. No canto oposto há um cavalete musical. A sonoridade emitida ricocheteia nas paredes e imediatamente cria atmosfera feita de inversões da voz do Kerouac e de temas musicais que compõe a vida interna do artista. Conforme persiste, os restos dos tubos se acumulam. Nos outros dias, um televisor ocupará o lugar do performance, repetindo os registros.

4. A memória do Jozias funciona como um arquivo, no sentido mais arcaico possível. Assisti-lo é imaginar a dinâmica associativa da qual temos apenas o acabamento. Porque é importante saber que a experiência é feita dos muitos momentos em que ele leu a obra e dos que ouviu sobre ela, da aura da beat, além das composições não declaradas. Apesar de todas as indicações conceituais, há muito que não é contado, do que se perde, até mesmo, nos depósitos afetivos de quem escreve. On The Road é uma etiqueta. Mas é sobretudo um mergulho na oxidação da alma.

5. A escrita imergida em Jozias / mergulhado em On The Road, com todas as implicações que, intencionalmente, restam misteriosas, é toda feita de trás para frente. A circulação com um espelho, por assim dizer, colocaria as letras nos seus devidos lugares. O defensivo é remeter à Alice. Mas é também uma forma de tornar a narrativa do Kerouac menos masculina. A galeria se torna a província da inversão. Os avisos podem ser lidos desde o lado de fora, uma vez que Jozias escreve como reflexo nas paredes vistas por quem chega. Na verdade, a relação com a escrita do avesso é mais como um’A Caça ao Snark. Isso porque, pequeno, era uma forma de se trancar dentro de si / menos para não poder ser decifrado / Não foi o caso de inventar códigos, e mais de vivenciar a reversão intrínseca à vida comum, ganhar algum tempo. Há saídas, de todos os lados, para se inverter o habitual / Em que aquilo que já se viveu se amalgama com as obsessões, no caso de se ter alguma. Jozias esqueceu que caçava. Até redescobrir a prática, toda completa, sem nem ao menos praticar. Se o Snark no Carroll não é bem alguma coisa, mas algo que se busca, tão pouco caçar seria evidente.

6. On The Road é um livro um tanto automático. Os acontecimentos se sucedem sem que os agentes negociem como os seus motivos. Aqueles que tergiversam são os mais laterais, como Carlo Marx e as mulheres. O estilhaçamento interno dos homens só pode ser vivenciado em atividade, na estrada. As dores são administradas pelo esvaziamento subjetivo. Eles não caçam o Snark, Carroll suspeitaria. Os momentos importantes acontecem quando seduzidos por algo além de si mesmos como uma morbidade, a necessidade de descrever como toca um músico de Jazz ou os movimentos de um carro em fuga. Por essa razão é que partir do espelho é tão importante. Ele estabelece a passagem do automatismo irreflexivo por aquele mediado por razões. A letra à máquina do Kerouac é capturada pela assêmica impura do Jozias. Não é preciso que algo tenha se passado ou o motivo reconhecido. Há algo anômalo que pode ser entendido, ainda que dependente de um espelho quebrado.


Cesar Kiraly / curador da Galeria Ibeu / professor de Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da UFF

Na estrada através do espelho - Jozias Benedicto



Na estrada através do espelho - Jozias Benedicto
Curadoria: Cesar Kiraly
Abertura: 04/04/18 às 18:30h 


O clássico “On the road”, de Jack Kerouac, é a inspiração da exposição “Na estrada através do espelho”, do artista Jozias Benedicto, que será inaugurada na Galeria de Arte Ibeu, com curadoria de Cesar Kiraly. Misturando artes visuais e literatura, a individual será composta por uma performance com o próprio artista ligada a uma série de pinturas na qual Benedicto tem trabalhado nos últimos dois anos. A performance dará origem a uma videoinstalação sonora site-specific que ficará em exibição na galeria.

Durante a ação, Jozias Benedicto utilizará textos próprios e apropriados, escritos e pintados com tinta saída direto dos tubos sobre telas e outros suportes característicos de pintura. As escritas são invertidas, espelhadas, fazendo com que as palavras se transformem em sinais gráficos de difícil compreensão de sentido por parte dos espectadores.

“A partir de palavras escritas sem predeterminação e palavras escritas invertidas, tomei como norte para a performance site-specific um livro chave da literatura americana, o “On the road”, do escritor Jack Kerouac, escrito de forma contínua, como uma escrita automática. A obra trouxe uma inversão dos conceitos, como se tudo escrito após ele, e dos outros autores da sua da chamada ‘Geração Beat’, passasse a ser lido ‘ao contrário’ da escrita convencional da literatura que os antecedeu”, analisa o artista.

Na abertura da exposição, todas as 200 telas serão geradas por Benedicto, em uma ação ininterrupta, na qual ele estará distante dos espectadores, isolado como um escritor beat. Tendo como base o rolo de telex no qual Jack Kerouac registrou o livro – que mede 36m x 22cm e está exposto em Paris –, o artista irá refazer o percurso do escritor, não em um rolo de papel e sim em um suporte tradicional de pintura. As telas terão 12x18cm em seus chassis, pinturas da série “Através do espelho”, e que, colocadas em linha, chegam ao comprimento do manuscrito original de “On the road”.

Estas pequenas telas serão afixadas à medida que serão pintadas, em uma linha horizontal que eventualmente se bifurca, como uma estrada. Ao fundo, de um cavalete de pintura transformado em uma “máquina sonora”, ouve-se a voz de Kerouac, distorcida, invertida, com a velocidade alterada, contraposta a outras vozes e outros temas da vida do artista.

“A ação é ininterrupta e extenuante. Atividade mental e muscular. Escrevo e pinto incessantemente sobre as telas, sempre da direita para a esquerda, palavras que vem a minha mente, em escrita automática, a partir de minhas leituras prévias do ‘On the road’”, completa Jozias Benedicto.

Com esta exposição, o artista irá inaugurar um novo espaço expositivo na Galeria do Ibeu, ocupando as vitrines na parte externa do local. Serão feitas duas pinturas diretamente sobre a parede, dialogando com a temática da exposição, representando textos do livro “Alice no País do Espelho”, escritos normalmente da esquerda para a direita e espelhados da direita para a esquerda.

Segundo o curador Cesar Kiraly, “sob efeitos da leitura do ‘On The Road’, do Jack Kerouac, Jozias Benedicto realiza performance em que escreve frases de trás para frente em pequenas telas. A escrita é predominantemente de cor escura e o fundo sobretudo claro. Os suportes são colocados em linha que envolve todas as paredes da galeria. A atmosfera é completada por um cavalete sonoro”.


Na estrada através do espelho - Jozias Benedicto
Visitação: de segunda-feira a quinta, das 13h às 19; sextas, de 12h às 18h 
Galeria de Arte Ibeu - Rua Maria Angélica, 168 - Jardim Botânico

Lucas - Regina Cabral de Mello


JANELAS e LUCAS

Galeria de Arte Ibeu inicia o ano inaugurando duas exposições simultâneas das artistas Mariana Katona Leal e Regina Cabral de Mello

Abertura: 27 de fevereiro de 2018 (terça-feira), às 18h30

Abrindo o calendário de exposições do ano, a Galeria de Arte Ibeu inaugura, no dia 27 de fevereiro, às 18h30, duas individuais simultâneas: JANELAS, da artista Mariana Katona Leal, e LUCAS, da artista Regina Cabral de Mello, ambas selecionadas através do edital do Programa de Exposições Ibeu 2018. Com curadoria de Cesar Kiraly, as mostras ficarão abertas para o público de 28 de fevereiro a 23 de março, com visitação das 13h às 19h (segunda a quinta) e 13h às 18h (sextas), na Rua Maria Angélica, 168, Jardim Botânico.  A entrada é franca.




LUCAS

A série de fotografias de Regina Cabral de Mello trata da impessoalidade de certos ambientes públicos projetados e que, teoricamente, deveriam ser mais acolhedores. Na verdade, são frios e distantes e nos tornam mais solitários pelo uso padronizado de determinados acabamentos de arquitetura. Pisos frios como mármores e porcelanatos, iluminação com lâmpadas de luz fria e LED, espaços fechados com janelas trancadas, corredores gelados com ar condicionado central e elevadores de aço automatizados... Todos esses elementos poderiam estar presentes em um hotel, flat, saguão, shopping ou  escritório de uma empresa, assim como em um hospital ou uma clínica. As 12 fotografias apresentadas foram feitas com o uso de um iPhone 6 em um hospital, mas poderiam ter sido feitas em qualquer um dos lugares citados.

"A individual da Regina Cabral de Mello é composta por fotografias de celular em ambiente de aridez e incorreção estética. O desafio da artista é encontrar a lírica que sobrevive apesar dos tons metálicos dos elevadores, do reflexo dos pisos e da luz fria. A exposição continua o esforço de acompanhamento da demolição, como fizera em imagens do processo de ruína do antigo Hotel Glória", comenta o curador Cesar Kiraly.



Sobre a artista


Carioca, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Graduada em Comunicação Visual pela PUC-Rio, concluiu o curso Manchete-Bloch de Fotografia em 1983 e estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, de 2004 a 2011. Entre as principais exposições estão a individual "A Glória e a Queda”, no Centro Cultural Cândido Mendes, e a coletiva BA Photo, em Buenos Aires.


Abertura: 27 de fevereiro de 2018, às 18h30
Exposição: 28 de fevereiro a 23 de março de 2018
Horário de visitação: 13h às 19h (segunda a quinta) e 13h às 18h (sextas)

Galeria de Arte Ibeu
Rua Maria Angélica, 168 – Jardim Botânico – RJ
(21) 3239-2863 / galeria@ibeu.org.br
Entrada franca
Classificação etária: livre

Janelas - Mariana Katona



JANELAS e LUCAS

Galeria de Arte Ibeu inicia o ano inaugurando duas exposições simultâneas das artistas Mariana Katona Leal e Regina Cabral de Mello 

Abertura: 27 de fevereiro de 2018 (terça-feira), às 18h30

Abrindo o calendário de exposições do ano, a Galeria de Arte Ibeu inaugura, no dia 27 de fevereiro, às 18h30, duas individuais simultâneas: JANELAS, da artista Mariana Katona Leal, e LUCAS, da artista Regina Cabral de Mello, ambas selecionadas através do edital do Programa de Exposições Ibeu 2018. Com curadoria de Cesar Kiraly, as mostras ficarão abertas para o público de 28 de fevereiro a 23 de março, com visitação das 13h às 19h (segunda a quinta) e 13h às 18h (sextas), na Rua Maria Angélica, 168, Jardim Botânico.  A entrada é franca.



JANELAS

Em sua primeira exposição individual, Mariana Katona Leal apresenta videoinstalações com gestos repetidos de um dançarino com o recurso de distorção da imagem, através de telas em diferentes temporalidades. É uma maneira de responder ao conceito do fora de campo e os gestos de um dançarino com o uso de ferramentas tecnológicas.

Perceber o movimento através das telas e a distorção da realidade através delas coloca, entre outras questões, uma percepção de que o limite dos enquadramentos são dinâmicos e instáveis, assim como o olhar de quem vê essa construção proporcionada pela utilização de mídias digitais.

Segundo o curador, "Nesta sua primeira individual, Mariana Katona Leal apresenta, sob curadoria do Cesar Kiraly, três instalações em vídeo, em que pesquisa o movimento a partir do corpo de um bailarino. As imagens sofrem variações de continuidade e repetição e são interrompidas pela conjugação de diferentes suportes. Os experimentos são cercados por tênue humor sombrio, presente no desmembramento do corpo em pedaços, rapidamente abrandado pela organicidade com que se movem".


Sobre a artista

Mariana Katona Leal (Rio de Janeiro, 1985) é artista visual. Formou-se em Cinema em 2007. Em 2009-11, cursou o mestrado em Artes pela UERJ. Na sua pesquisa artística problematiza a questão do corpo por meio da tecnologia. Participou de diversas exposições coletivas, dentre elas: Salão de Artes Visuais Novíssimos (2016) - RJ, "City as a process" (2012) Ekaterinburg - Russia, "Zona oculta" (2010) – RJ e "Olheiro da arte" (2010) - RJ.


Abertura: 27 de fevereiro de 2018, às 18h30
Exposição: 28 de fevereiro a 23 de março de 2018
Horário de visitação: 13h às 19h (segunda a quinta) e 13h às 18h (sextas)

Galeria de Arte Ibeu
Rua Maria Angélica, 168 – Jardim Botânico – RJ
(21) 3239-2863 / galeria@ibeu.org.br
Entrada franca
Classificação etária: livre

Programação Galeria Ibeu 2018


As Marias de Leca Araújo



A exposição As Marias, de Leca Araujo, traz uma curiosa perspectiva do Brasil, a partir de um conjunto de pinturas, aqui, reunido. Inspirada pela afirmação de que “a típica mulher brasileira é doméstica, negra e se chama Maria” (de Filipe Miguez), Leca Araujo recria diferentes perfis femininos brasileiros, nos levando a refletir sobre aspectos sociais e políticos do Brasil.

Para tanto, a artista utiliza diversos tipos de tintas combinadas a materiais reciclados. E, hibridizando figura e fundo, sobretudo por meio do preto sobre preto, aborda a questão da similaridade versus igualdade.

A série As Marias, de Leca Araujo, sintetiza assim a crença de que cada ser humano é único.


Elisa Muradas
Curadora


As Marias de Leca Araujo
Abertura: 14 de dezembro | Até 12 de janeiro de 2018

Galeria de Arte Ibeu
Rua Maria Angélica, 168 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro
De Seg a Qui, de 13 às 19h; Sex, de 13 às 18h
(A galeria estará em recesso de 26-12 a 01-01- 18)