Evento: Mário Peixoto. A poesia que reside nas coisas | 13 e 14 de novembro


Ligado, pela amizade ou pela criatividade, a nomes  como Clarice Lispector e Lúcio Cardoso, entre outros; autor de um livro elogiado por Jorge Amado e Manuel Bandeira e do qual apenas o primeiro volume, de um total de seis, até agora – 2017 – foi publicado; exímio poeta. Mas, pouco lembrado por sua literatura. Realizador de um filme elogiado por nomes como Orson Welles e peça de culto da cinematografia brasileira, uma vez que este feito é sempre o primeiro a ser recuperado quando seu nome é citado.

Todas as facetas do artista são exploradas por estudiosos de sua obra na edição 14 da Revista 7faces, com sublinhado para sua produção literária. Este número reúne, além de ensaios, material diverso de arquivo e inéditos. Marca esta publicação “Mário Peixoto. A poesia que reside nas coisas” –  alusivo à memória e à obra do autor.

O evento ocorre nos dias 13 e 14 de novembro de 2017, no Centro Cultural Ibeu, em Copacabana/RJ.


Programa:

Dia 13 de novembro

14:30
Lançamento da Revista 7faces n.14 em homenagem ao Mário Peixoto
Pedro Fernandes de O. Neto (UFERSA); Cesar Kiraly (UFF)

15:00
Geraldo Blay Roizman (USP)
Filippi Fernandes (UFF / Arquivo Mário Peixoto)

17:00
Mar de Fogo, de Joel Pizzini (8 minutos, Blu-ray )
Limite, de Mário Peixoto (114 minutos, Blu-ray )



Dia 14 de novembro

14:30
Lançamento da Revista 7faces n.14 em homenagem ao Mário Peixoto
Pedro Fernandes de O. Neto (UFERSA); Cesar Kiraly (UFF)

15:00
Joel Pizzini (Cineasta)
Maurício (PUC-Rio)

17:00
Mar de fogo, de Joel Pizzini (8 minutos, Blu-ray)
Limite, de Mário Peixoto (114 minutos, Blu-ray)



Entrada Livre


CENTRO CULTURAL IBEU
Av. N. S.de. Copacabana, 690/11º andar 
Copacabana - Rio de Janeiro

Informações: https://simposiomariopeixoto.wordpress.com/
Confirme sua presença: https://www.facebook.com/events/151797028770581/

À Beira - Pedro Tebyriçá


A Galeria de Arte Ibeu recebe a partir do dia 7 de novembro a individual "À Beira", do artista Pedro Tebyriçá. A mostra fica em cartaz até o dia 1º de dezembro, de segunda a quinta, de 13h às 19h, e às sextas de 13h às 18h. A Galeria Ibeu fica localizada na Rua Maria Angélica, 168, Jardim Botânico.

Sobre a exposição: O artista Pedro Tebyriçá mirou sua câmera à beira-mar e fez registros de um espaço democrático por excelência, o Arpoador, para compor a exposição "À Beira", que será inaugurada na Galeria Ibeu no dia 7 de novembro, às 18h30. Esta é sua primeira individual exclusivamente de fotografias.Nascido neste bairro carioca, Tebyriçá viveu por 30 anos no edifício "Marambaia" - o mais antigo da área, construído à beira do mar -, de onde, da mesma janela, se vê as praias do Arpoador, Ipanema, Leblon, as Ilhas Cagarras e o Morro Dois Irmãos. Isto influenciou a poética do artista, que registrou de uma maneira pessoal as características próprias - e múltiplas - do local.


Segundo o curador, Cesar Kiraly, "À Beira do Tibiriçá se afirma, primeiro, como poesia concreta, feita da crase, antes da beira, até o acento agudo do nome do artista. Uma delimitação do espaço dos banhistas, que começa com a interrupção da calçada, ou o início da areia, e se encerra com a fronteira variável do mar. As pessoas que ali estão, estão à beira. Porque suas experiências citadinas estão longe da trivialidade, elas escolheram investir num tipo particular de repetição: a metamorfose da pele, dos olhos, dos movimentos etc. À beira da vida cotidiana, porque estar ali implica disponibilidade específica à passagem do tempo, nem que seja para apenas aproveitá-lo, na expectativa do sol, e à beira do fim da cidade e começo do mar. Além disso, estar à beira guarda algo de trágico, pois é justamente do oceano que nos chega a destruição, seja a do ambiente, em suas gigantescas ondas, ou a ficcional, em seus curiosos monstros. Nesse sentido, os banhistas se mantêm à beira da loucura, à mercê do abismo."


À Beira - Pedro Tebyriçá
Serviço: 07/11/2017 a 01/12/2017 | Seg a Quin (13h às 19h); Sex (13h às 18h)
Galeria de Arte Ibeu - Rua Maria Angélica, 168, Jardim Botânico

EDITAL de Exposições Galeria Ibeu 2018


A Galeria de Arte Ibeu faz saber que, durante o período de 6 de outubro a 5 de novembro de 2017, estarão abertas as inscrições para o Programa de Exposições Galeria Ibeu 2018 que contemplará propostas de Exposições Individuais a serem realizadas na Galeria de Arte Ibeu no período de março de 2018 a março de 2019.


A nova Galeria de Arte Ibeu fica localizada no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro. A Galeria tem como perfil, desde sua fundação, promover exposições e eventos relacionados à produção contemporânea de arte. Todas as atividades da Galeria visam à classificação etária livre.


O presente edital tem como objetivo apresentar um recorte da produção artística contemporânea e fomentar a discussão sobre a diversidade poética e a pluralidade de temas e suportes acionados pelas linguagens contemporâneas.


Acesse o Edital e a Planta baixa da Galeria através dos seguintes links:
Planta Baixa
https://drive.google.com/file/d/0B3UJK49TVKWDcUF4bkJ4djBldUE/view?usp=sharing


Em relação a Ficha de Inscrição, basta enviar-nos por email, juntamente com o seu projeto, as seguintes informações:


DADOS PESSOAIS   
Nome do artista:
Data de Nascimento:
Telefone e Email:
Endereço:


SOBRE O PROJETO INSCRITO: (escreva um breve parágrafo sobre a proposta a ser inscrita neste Edital)


Não é necessária nenhuma formatação especial na ficha de inscrição. Bastam apenas as informações solicitadas.


Importante: O artista que conseguiu baixar a ficha de inscrição quando a compartilhamos pelo Google Drive, pode continuar com esta mesma ficha.


Nenhum artista será desclassificado por motivos de ficha de inscrição ou de não envio de projeto em pdf. Se o artista considerar melhor o envio do projeto em arquivo Word, ou apenas anexando imagens em anexo ao email, pode realizar o envio desta forma. A solicitação pelo envio em pdf no Edital se dá porque o pdf é um formato de arquivo geralmente "sem erros". Quando você nos envia uma "foto" jpeg em anexo ao email, por exemplo, há a possibilidade de o arquivo "não abrir" em nossos computadores. Não é algo que acontece sempre, mas não é impossível.


De qualquer forma, se não conseguirmos abrir os arquivos enviados em sua inscrição, aguarde nosso contato por email na próxima semana. Certamente iremos responde-lo.


As inscrições serão realizadas unicamente por email. Envie seu projeto para: editalgaleriaibeu2018@gmail.com


Boa sorte a todos!




A Intimidade é uma escolha - Texto de Cesar Kiraly para Maria Fernanda Lucena



1. A escolha é obscura. A intimidade é definitivamente uma escolha. Escolher é também ser escolhido. Ali também há desvio próprio. Se o contemporâneo tem das suas fobias, digamos que entre elas estão a intimidade e a escolha. A intimidade é tão nua que está vestida. A intimidade é uma escolha: quão mais a ela se teme, é-se menos livre.  A sua dinâmica concerne às alternâncias entre o desgaste e o vigor. Não se precisa se dominar os motivos para escolher e não há como escolher sem ser escolhido.

2. Não se pode mais acompanhar William James na afirmação de que a experiência é uma colcha de retalhos. Ele não sabia muito sobre colchas. Se for para buscar reconciliação, então admitamos que há retalhos na experiência, dos quais é feita, mas é tolice achar que se associam como numa colcha. Nela se busca o aproveitamento das sobras e a acomodação, que obriga que os pedaços sejam quase sempre de tamanho parecido; nada mais incomum à intransigência da vida. Nesta, as aproximações são compostas, há escolhas, mas não como quem escolhe uma maçã – que se torna culpado por tê-la podre – mas como quem se aproxima ou se afasta de certo ruído, mesmo sem saber muito o porquê, na maior parte das vezes muito antes de qualquer conveniência. Assim, suas partes são sempre desiguais, a relevância nem sempre concerne ao tempo de exposição e o resultado não é de todo previsível. A intimidade é uma escolha de partes e não de uma finalidade. Ao se dizer a experiência, pode-se aproveitar o retalho, porém a sua lógica remete à colagem.

3. A experiência é uma colagem a partir de pedaços desiguais. Ela é muito pública, por assim dizer. A intimidade é uma das primeiras apropriações que a experiência sofre. Isso faz com que todas as vidas acabem por deter alguma intimidade. Nela não há exatamente algo para se ver. Ela é como o interior, que só o é quando não se o vê. O retalho visto não é a intimidade, mas pode ter intimidade nele. A intimidade é a inevitável posição de penumbra de qualquer um. Nada é intrinsecamente íntimo. A intimidade é o lado escondido do rosto, o corpo dentro da roupa etc. É impossível não esconder algo.

4. Lucena, nesta individual, aprofunda pesquisa sobre a intimidade, iniciada em sua obra premiada na edição de 2016 do Novíssimos. Se antes investia em ambientes fechados, numa lírica do claustro urbano, passou a abranger maior variedade de tipos de vida. As suas escolhas são doces e guardam evidente peso dramático. A pesquisa se inicia com a busca, num sem número de oficinas, às superfícies descartadas de poltronas e estofados. O desejo é pela corrosão causada por nossos corpos nos tecidos. São retalhos desgastados pela intimidade. O pano, eis o peso, serve de duplo da pele, que, junto com a roupa, consumem o envoltório. A artista recolhe aquilo que se soltou das rotinas. As cores dos retalhos são variadas, o plano dos relevos é imprevisível, repleto de ondulações, que nos comunicam preenchimento. Por vezes se fazem reentrâncias, em profundidades diversas, como se pudéssemos estar nelas; noutros momentos há bordas que se tornam levemente escultóricas. As dimensões cobrem as paredes da galeria. O aconchego nos sugere que poderíamos nos precipitar contra elas. A paixão teria como resposta a maciez compreensiva. Se a lógica é de colagem, o estabelecimento é dado pela costura. Aqui um outro peso. Porque a costura dos fragmentos da intimidade é também sutura. Inevitavelmente seríamos levados às cicatrizes, às marcas, aos efeitos comuns da passagem dos dias. Lucena costura pedaços desgastados de experiência, pensando-os como colagem, para que adquiram vigor íntimo.    


5. A precipitação pictórica, dissemos, acontece sob a lógica da colagem, com a especificidade, e o peso, dos retalhos serem costurados uns aos outros. Peso afetivo, mas também conceitual, porque a linha de costura, como a de sutura, acaba por estar contida nas questões da escritura, como nos mostra Derrida. Ainda que silenciosa, íntima, é a escrita da costura, assêmica, que mantém os pedaços que Lucena escolhe. Nas situações em que prevê a pintura, a dinâmica é ligeiramente diferente. Nelas há antecipação. Os retalhos associados são pensados para receber pigmento. Eles se relacionam mais com a tinta do que com o entorno. É a cumplicidade íntima que não pode ser vislumbrada. Adianta-se o vínculo cromático, mas, sobretudo, prepara-se uma atmosfera de recepção. Daí a pintura se enraíza no entorno, como trânsito distinto do mesmo processo. Antes formas impuras, depois os retratos e seus objetos de cena. Pode-se notar bem a cumplicidade com o meio, os corpos feitos de tecido. Por isso as pessoas somem em retalhos e esses as continuam, dissipando-as ou as ressoando em harmonia. 

6. Pode-se imaginar quem são as pessoas que Lucena retrata. Isso não é importante. É relevante o deslocamento onírico entre uma cena e outra, entre a cumplicidade impessoal dos tecidos e aleatoriedade das escolhas, a mescla da intimidade da artista com as cores e estampas. O fundamental é que não se tratam de biografias. São intimidades e não fatos. A tipologia que se nos apresenta é a da austeridade das pessoas simples, pela retidão fisionômica, a tensão psicológica das que aparecem sozinhas, o relaxamento dos homens brancos, a timidez dos convocados a posar e a indiferença dos adolescentes.

7. A intimidade é o vigor da expressão. Por isso está por todos os lados. Não é preciso dividir a vida com alguém para tê-la. Ela é a intensidade, obtida com o desgaste cotidiano, sendo levada para a expressão, aos enunciados, às iniciativas verbais, corporais, pictóricas etc. Uma recompensa, por assim dizer. Pode-se nomear um evento de íntimo, mas íntimo não é o acontecimento, e sim a tensão que permite acumular. Não ser visto por ninguém é o que o dispara. É impossível não ter intimidade, porque sempre há perspectiva sobre nós que não está sendo percebida. Ela não é invisível, mas sim um inevitável ponto cego, que, por vezes, desprezamos. A intimidade é correlata ao interior, com a diferença que pode ser transportada. A crise contemporânea que a concerne não tem que ver com pessoas sozinhas demais ou de menos ou com exibicionismo, mas com o fato de que há pouco escondido no que se mostra. O paroxismo pode ser explicado: se o íntimo nos é inevitável e a expressão tem sido minguada, só se pode deduzir que se desperdiça intensidade nos momentos errados. A intimidade é uma escolha. É ela que torna o manifesto resistente a ser esgotado, que o permite fazer muito sentido. Porque é uma escolha ter o que esconder, para poder acender aquilo que se resolve mostrar.


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Cesar Kiraly, curador da Galeria IBEU. Professor de Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense. Autor, dentre outros, do livro Fuga sobre o Branco [ ]. 


A Intimidade é uma Escolha - Maria Fernanda Lucena


Na edição de 2016 do Novíssimos, Lucena apresentou um conjunto de peças de acrílico que encapsulavam objetos da vida doméstica, afetivos, e a eles dava a companhia de pinturas, no suporte: janelas pelo lado de fora, moradores de Copacabana, jarros com plantas etc. Por essas peças foi premiada com a exposição para a qual estamos a convidar. Há alguma continuidade entre a obra referida e a presente individual, mas o sentimento maior é de mudança. Em uma trajetória já consistente, a artista consegue dar um importante salto de originalidade, aproveitando virtudes e indo além do conforto. A Intimidade é uma Escolha, com curadoria de Cesar Kiraly, aborda a experiência na vida das pessoas, em sugestão, de proximidade não declarada, com a própria vida da artista. Esses personagens não estão mais em um relicário, não há mais asfixia, e sim ampla paisagem de afetos circulando. Nesta, tem-se a galeria completamente coberta por retalhos associados, sob lógica de colagem, mantidos juntos por costura. Estes foram obtidos nos tecidos descartados nas oficinas de estofamento doméstico. Ela aproveita o material desgastado, vivido, por assim dizer. Podemos, quiçá, reencontrar pedaços de nossas próprias vidas, ao mesmo tempo, íntimos e impessoais. Lucena o faz de modo a nos dar a acidentalidade das escolhas cotidianas, e, depois de tais intervalos oníricos, sobre a composição, revela-nos retratos de pessoas, cujo instante de vida optou por mostrar. Se, por um lado, é matéria desgastada, por outro, consegue as fazer despertar em entusiasmante vigor. São pedaços de vida, e todas as vidas são bem parecidas, donde o desgaste, mas colados de modo a evidenciar a singularidade de cada existência, daí o vigor. São casais com filhos, sem filhos, pessoas solitárias, com seus bichos, afundadas em seus sofás, retratadas sob mesma técnica, além de estarem pictoricamente enraizadas no suporte que as envolve. Lucena consegue, de maneira surpreendente, abordar com delicadeza o mais importante tema do nosso tempo.


Cesar Kiraly, curador.





Paisagem, o Onírico dos Dias | Texto de Cesar Kiraly para NOVÍSSIMOS 2017



Paisagem, o Onírico nos Dias
Ensaio Crítico


1. A convenção é que se os tenha bem separados. Viveríamos no estado desperto e o mundo dos sonhos seria uma província selvagem, repleta de perigos, preço que pagaríamos por estarmos nos recuperando. Ser poupado do ataque das imagens noturnas seria a maior recompensa de uma consciência tranqüila. Não tê-la é ser desmembrado pelos próprios fantasmas, na melhor das hipóteses, porque a derradeira tortura seria a insônia. Nela a distinção entre realidade e sonho começaria a se dissolver até o desterro. No delírio haveria lógica privada para a interação das imagens e nela não poderíamos interferir. Acordados seríamos um tanto mais soberanos e os hábitos seriam bons aliados. No sonho estaríamos à mercê, até mesmo para sermos surpreendidos com delícias e onipotência. Se delirantes, a invasão dos bárbaros começaria e não teríamos onde nos esconder do que o mundo fez de nós mesmos.

2. Acha mesmo certo disputarmos? / Não estamos disputando, Disputaríamos pelo quê? / Pela perspectiva, Você quer falar como se fosse um homem que a vê / Ora, e quer falar como uma mulher que se percebe / No mínimo temos uma disputa pela perspectiva / Acho que tenho uma vantagem sobre a sua / Por que diz isso? / Porque se cindirmos, será do meu lado a licença / Sim, porque sempre esteve, Donde reconhece o desnível / Se eu partir não seria a mesma coisa? / Acho que se ficasse do lado de fora por alguns minutos, talvez já fosse algo / Daí eu abdicaria de mim? / E não teria a alegria imediata de ser o lobo das minhas ovelhas / Se eu dissesse que nada sei dela e que ela não sabe que a vivo? / Eu diria que ela está presa, que se permite ver apenas na dissipação / Daí eu admitiria que a fiz desde as coisas que me são mais queridas / Ela que há muito tempo não existe / Mais queridas e não a entendo / [...]

3. À sala, como qualquer outra, muito livros, móveis de madeira escura, um tapete, nada aparentemente fora do lugar, nota-se que há criança, por um boneco de pano comportado no sofá. Mas só por isso, criança educada. A estranheza é pela janela aberta, em uma noite insanamente fria. Se se atenta, há fita adesiva nas frestas das portas que dão para os quartos e mais outro tanto na de conexão da sala de estar com a cozinha. O pó se acumula sobre a imagem / de novo, tudo cinza. O utensílio doméstico cuidadosamente feito vazio e uma mulher repousa nele a cabeça, como se buscasse o contraintuitivo.

4. Essas instâncias não aparecem tão separadas, como se poderia esperar. Sem termos que decidir quem é mais abrangente é o caso de admitir a densa composição onírica das nossas imagens, da nossa linguagem. Isso quer dizer que da experiência fazem parte nossos hábitos, e também suas inversões. A convenção de diferença entre a realidade e o sonho pode nos divertir e confortar – a literatura é bem dependente disso –, mas ao mesmo tempo nos faz perder a continuidade entre os âmbitos e a disponibilidade das imagens à invenção. Assim é o caso de ver com prudência a textura comum das associações e a plena disponibilidade dos sentidos a serem torcidos. Se o delírio é pleno de arbitrariedade, há também a alucinação e suas presenças camufladas em camadas cúmplices ao visível. A paisagem que nos abriga e a qual assistimos é habitada pelo onírico embebendo os dias. Não estamos preocupados com os dilemas de estarmos acordados ou dormindo, se nosso mundo é o sonho de alguém. Nada disso nos importa. A questão é pelo rico amalgamado no curso dos dias, de modo a termos aproximados viver e sonhar.

5. Ele transita algo impressionado / nesses tempos se voltava a falar em antropofagia / tinha-a percebido idêntica a uma das puritanas devoradoras. À mais feinha, mas isso não contaria. Os mesmos cheios cabelos louros, se deixados incontidos, o mesmo rastro sobre a cabeça, se furiosamente trançados. Ela o interrompe e comenta antes sobre as bases de concreto, em violenta insensibilidade ameríndia, e depois das figuras geométricas progressivas como escadas etc. Como? – ele argüiu. Sim, rolantes à passagem da vida.

6. Não há dificuldade, chão é chão, mundo é mundo. Caminha-se empurrando o chão para trás, na direção do fundo. Lá onde tudo é claridade, o tempo passa cinza, como poeira repousada nos móveis / sem perder, contudo, a capacidade de fazer sombra para depois do corpo. E a luz que o deixa visível é uma outra. Ele caminha à beira, por ter infamado tantos nomes. Ainda que seja apenas uma pessoa como as outras. Daí nada treme. Ontem Emily Dickinson dizia não poder acompanhá-lo. Espero que não tenha ficado magoado. Ela temia que aquela parte, da cinza, fosse vida / ao que balbuciava não ser área permitida. Uma espécie de preleção escapava dela, de que o futuro era só dor e o passado também. De que teria algo de vazio. Daí achou melhor ir sozinho.


7. Um dos efeitos de não se lidar com a composição onírica da experiência é o desenvolvimento de conjuntos estanques de imagem e linguagem. Isso pode ser percebido ao se lidar com extrema disponibilidade à inversão, ao se encontrar o onírico legendado [Aqui há Onírico] e a exigência de secura e limpidez nos assuntos concernentes ao mundo desperto. O resultado não é a delimitação dos campos, porque não é possível fazê-lo, se estivermos certos, mas a insensibilidade acerca da imagem e da linguagem. Pode-se, até mesmo, usar a gramática factual para veicular inversões oníricas, sempre foi a principal estratégia de credibilidade da utopia; donde não há razão para que a factualidade não esteja envolta pelo contraintuitivo. A arte contemporânea não pode deixar de procurar distinções, não pode sacrificar a depuração do gosto. A legenda é tão somente a legenda e não é porque a seta aponta para o mundo que se trata de mundo e não é porque tem tom de sonho que é sonho.

8. A questão não é eu não saber onde estava, ou de me aparecerem como paisagens urbanas. O mais importante é que eu me encontrava em tal estado de perdimento, que nenhum daqueles postais me dariam o senso de pertencer. Lembra aquele livro do meu avô? Aquele que escolhi dar de presente. Então, havia um postal dentro dele. Nada escrito, só o postal. Eu estive ali. Naquele papel velho, esquecido dentro de algum lugar. Era isso que queria, achar uma imagem da vida passando, sem que fosse dissimulado o vazio. Que por mais esforço que fizessem, ninguém poderia dizer ter estado ali com ninguém. Aquele era o meu lugar, só eu estive ali. Como eu saberia? Porque aquele espaço em branco, sem dono, só poderia ser o meu.

9. Sempre tive medo de ser arrastada para morar numa casa em obras. Tenho uma tia que viveu e morreu assim, sempre numa casa em obras. As casas eventualmente entram em obras. Mas há casas que trazem a obra nelas. Isso acontece quando alguma incauta se permite morar antes de acabada. Uma maldição passa a fazer parte da casa e a obra nunca mais sai dela. Não há fantasmas. As coisas são feitas dos seus acidentes, como as pessoas, e esses se expressam quando se presta atenção neles. Uma casa em obras fala a sua ruína. A própria obra assiste a sua ruína. Se prestar atenção, verá isso. Uma casa presa nela mesma, se percebendo perder paredes e telhados. Os arruinados respiram todo aquele pó de cimento. A visita só tem a parte visual da ruína. Ela é só de quem a vive, como se estivesse dentro de um vidro.

10. Não sei por que soa estranho. Assertivamente assim, apenas uma vez. Estávamos com uma cadeira de três pernas, cujo encontro fora incomum e da qual nos desfizemos com chamas à orla e uma colagem de um sem número de cartas despedaçadas. Sim, faltava alguma coisa, precisávamos de algo e encontramos um galho. Apenas devolvemos o que era dele, silenciosamente, e a todos os momentos. A disponibilidade de sentir o que tem que ser movido, precipitar-se na direção de extinguir a passividade, nas poucas oportunidades em que esse é o caso, a agilidade para notar a capacidade das pessoas e dos objetos que lhes forem pares, cúmplices, aproximar os pertencentes à mesma enfermaria, desse modo discreto, para mim, é a única forma de se mover. A escolha, se assim for, é o menor dos problemas. Ela quase se impõe. O único princípio é perceber que se os matizes estiverem confusos, indiscerníveis, adensado verde, por exemplo, no caso de floresta, não se pega ou se larga nada. E se for explícita a divisão entre as cores, como num descampado, é tempo de abandonar e seguir em frente.

11. A depuração do gosto acerca da continuidade entre realidade e sonho, pois bem, frustra as más intenções dissimulatórias. Ora, não é porque é regular que é sério ou por inverter as relações, que é inofensivo. Além disso o aprofundamento nos permite lidar sem pânico com a dupla presença.

12. Ela estava com os cabelos presos, imersa em alguma coisa que precisava fazer. Eu podia vê-la com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo para fazê-lo. A minha sensação era de poder congelá-la para sempre e perceber cada detalhe. Conforme podia depurar o que meus olhos viam, a imagem feminina perdia em nitidez e se compunha com o que a cercava. O seu rosto eu nunca podia ver. Como se aquilo que ela tivesse nas mãos precisasse ser visto no seu modo de camuflagem, que de tão eficaz, avançava para seu braço exposto. Pode ser que ela fugisse em tinta. Uma bolsa de certo peso acabava, numa tira atravessada, por marcar a silhueta do seu corpo. Havia mais alguém perto dela.


13. Antes, de roupa de todos os dias, Nem envolta a vácuo, nem nada. Depois, apenas um roupão de tema japonês, Não pude deixar de pensar em Madame Butterfly. Borboleta, mariposa. Phalène, como quis Didi-Huberman. A sua cabeça como lanterna japonesa, A minha cabeça exposta, sem poder reconhecer o rosto, Seu vôo incessante dentro de si própria, apagamentos e acendimentos. Então, amassa o próprio dedo na janela e me o oferece, como se fosse possível beijá-lo. Pode ser que, se arrumássemos com fita vermelha, para me permitir não esquecer, Donde se me criaria a lembrança de tê-la visto com seu uniforme, um tanto alta demais para a idade, Antes do derradeiro aniversário / Mais todas aquelas camadas e mais camadas de bolo, para ser devorado pelos lados, até ser transformado em massa, asquerosa. A máscara insensível, com que me diz: - Nunca estive viva, Era apenas de borracha, Uma barreira colocada entre meu penúltimo fôlego / e o mundo.       

14. A composição das imagens é sempre a mesma, elas derivam das nossas percepções. Nisso as que reconhecemos, mas também os seus elementos. Por isso não se pode afastar das imagens o pictórico. Elas são também as cores das quais são feitas; mesmo quando abstratas. A dinamicidade é conseguida pela associação de tais imagens. Daí podemos fazer como queremos. As mais comuns são as por semelhança, amarrarmos o que se parece, por contiguidade, aproximarmos o comum no dessemelhante e por causalidade. Esta última costurando as imagens por antecedência e sucessão. As operações distintivas do onírico são a de concentrar o sentido de muitas imagens numa só, tornando tudo mais denso ou deslocá-lo de uma para outra. Se pode empreendê-las na vida desperta. O onírico, contudo, realiza-o sem muita repressão. Se é possível abrandar a inibição convencional de uma imagem, então é a sua dinâmica sonhadora que começa a surgir. A principal diferença entre a imagem desperta e a onírica é a velocidade e intensidade com que tais trânsitos são realizados. As imagens são colocadas em estado de vigília ou sonho. Não é absurdo supor que possamos estar dormindo e termos imagens despertas e o contrário, estarmos acordados e termos sonho.

15. Ali eu me sentia como um homem qualquer. Um homem respeitável qualquer. Acho que representante dessa classe de homens nos quais se pode confiar. Sabe?! Um daqueles que mal se percebe a existência e tudo depende deles. Eu era um motorista de ônibus, um porteiro. Alguém que de madrugada ficaria acordado, tomando conta de todos enquanto calmamente repousariam do dia. Ao mesmo tempo, sinto-me com uma consciência incomum de mim mesmo. Isso me parece estranho. Porque eu me observo sendo quem sou e mesmo esse se observa. A gravata me distingue, sempre preta. Ela me protege e me é imposta. Eu trabalho e acabo de enterrar alguém, sou eu, sempre, em eterno luto. Estou sob cerco e ninguém me vê.

16. Estava convencida do quão determinista era ter sido obrigada a costurar desde pequena em fábrica por série e ser visitada pela repetição dos panos mesmo quando dormindo. Pode ser que a corrente se dissipasse um pouco, afinal, era mesmo de uma linhagem longa, ainda que arcaica hoje em dia, de mulheres, sobretudo em casa, debruçadas sobre máquinas de costura / corpos para frente e para trás. Sabia que era o passado que se revolvia, quando não mais era visitada pelas peças marcadas, mas por estranhos seres torturados aberrantemente tingidos. A fuga começou quando a vida passou a ser desenhada em grafite numa tábula rasa de tecido esticado. Nesse tempo, dormir era deixar de existir. Se a casa podia ser reconhecida, nos móveis amontoados, então ainda se ressentia, por saber das afinidades disso e ser uma mulher de ontem. Ontem, adormeceu com a dobradura da tábula e sabia que tudo ali era da sua vida, e não pôde reconhecer nada.

17. A imagem pode estar em modo desperto ou não. Tratam-se de situações distintas, diferenças de estado. Elas podem se esconder uma da outra. Até mesmo, por vezes, aparecerem indistintas. Assim, quão mais delicado o gosto, menos indistinção. O sonho é um aceleramento. E para sabê-lo é preciso ter pontos de confronto. Não há uma regra de limite de velocidade. É-se sempre imagem, mais ou menos reprimida, num quadro. O sonho nos dias depende da paisagem na qual se insere. A paisagem é a própria alegoria do contemporâneo. Porque está tudo nela. Ela perde em eloqüência, porém ganha em completude. Nela se pode perceber o que se move, porque é esse deslocamento que serve de mostruário das associações e das vertigens. Nela se nota se as imagens foram capazes de afetar os demais objetos, de fazê-los tremer em suas acepções habituais ou levá-los ao desconhecido. Essa é a importância da dinâmica conceitual oferecida pela paisagem para o ambiente contemporâneo: está tudo ao mesmo tempo. A sua vocação é de acolhimento: dos retratos, dos avolumados escultóricos, das disponibilidades conceituais, das especificidades das formas de vida etc. Aos incautos parece que não acontece nada, que tudo se confunde. Ela é exigente e demanda delicadeza.


Cesar Kiraly, curador, professor de Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da UFF, editor da 7faces.



Catálogo Novíssimos 2017 | ISSUU




Artistas participantes:

Amador e Jr. Segurança Patrimonial LTDA - RJ
Ana de Almeida - RJ
Ayla Tavares - RJ
Betina Guedes - RS
Caio Pacela - RJ
Clara Carsalade - RJ
Felipe Seixas - SP
Jean Araújo - RJ
Juliana Borzino - RJ
Leandra Espírito Santo - RJ
Stella Margarita - RJ

Inauguração NOVÍSSIMOS 2017



NOVÍSSIMOS 2017 
Único Salão de Arte do Rio de Janeiro chega à sua 46ª edição
Coletiva com 11 novos artistas ocupa pela primeira vez a nova galeria de arte ibeu

Vernissage: 1º de agosto, das 18h30 às 21h


Tudo novo de novo! Pela primeira vez no endereço que acaba de inaugurar, agora no Jardim Botânico, a GALERIA DE ARTE IBEU apresenta, no dia 1º de agosto, a 46ª edição do Salão de Artes Visuais Novíssimos 2017, o único salão de arte do Rio de Janeiro. A edição deste ano tem curadoria de Cesar Kiraly e conta com a participação de 11 artistas que apresentarão trabalhos em pintura, instalação, objeto, fotografia, vídeo, desenho e performance. Os selecionados são Amador e Jr. Segurança Patrimonial LTDA (RJ), Ana de Almeida (RJ), Ayla Tavares (RJ), Betina Guedes (São Leopoldo - RS), Caio Pacela (RJ), Clara Carsalade (RJ), Felipe Seixas (SP), Jean Araújo (RJ), Juliana Borzino (RJ), Leandra Espírito Santo (RJ/SP) e Stella Margarita (RJ). O artista em destaque de Novíssimos 2017 será divulgado na noite de abertura e contemplado com uma exposição individual na Galeria de Arte Ibeu em 2018.

Novíssimos tem como proposta reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira, em suas variadas vertentes. Até 2016, 610 artistas já haviam participado de Novíssimos, que teve sua primeira edição em 1962. Nesta 46ª edição, a proposta curatorial diz respeito à interrogação da distância entre as imagens da vigília e do sono.

“Foram escolhidos artistas em início de trajetória que se propuseram a pensar a experiência dessa forma expandida. O onírico surge atrelado aos mais diversos suportes, em formas escultóricas de pano, fotografia, na interação do concreto com aparato eletrônico, no conflito do rosto com matérias que insistem em cobri-lo, nas estratégias de captação de vídeo. Pudemos contemplar os percursos dos artistas, mas também tivemos a oportunidade de indicar trabalhos que nos pareceram exemplares de boa direção na proposta que nos foi submetida”, afirma Cesar Kiraly.

A mostra fica disponível para o público de 2 de agosto a 15 de setembro de 2017, de segunda a quinta, de 13h às 19h (às sextas, de 13h às 18h).

Resultado NOVÍSSIMOS 2017

A Comissão Cultural do Ibeu torna público o resultado final da seleção para o 46º Salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS 2017.

Selecionados:

Amador e Jr. Segurança Patrimonial LTDA - RJ
Ana de Almeida - RJ
Ayla Tavares - RJ
Betina Guedes - RS
Caio Pacela - RJ
Clara Carsalade - RJ
Felipe Seixas - SP
Jean Araújo - RJ
Juliana Borzino - RJ
Leandra Espírito Santo - RJ
Stella Margarita - RJ

Os artistas selecionados receberão um comunicado por email com informações sobre a exposição.
O Ibeu agradece a participação de todos os inscritos.




Acordo - Julia Kater


Recém-aberta em novo espaço no Jardim Botânico, a Galeria de Arte Ibeu irá inaugurar, no dia 22 de junho, às 18h30, a individual “Acordo”, de Julia Kater, artista francesa radicada no Brasil que foi selecionada através do edital do Programa de Exposições Ibeu. A mostra - que é a segunda feita na nova sede - é composta por uma instalação contendo som e um vídeo elaborado a partir de fotos feitas por Julia, e projetado em grande formato. O texto crítico é assinado por Julia Lima, curadora independente que fez parte do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake.

O vídeo “Acordo” trata do encontro de dois corpos no espaço, dando origem a um novo território, uma espécie de zona de acordo capaz de extravasar os limites e demarcações antes impostos. Segundo Julia Kater, a montagem tem a forte presença da linguagem do recorte, uma vez que os elementos e territórios,  em cinza, surgem a partir de uma área comum entre as nuvens, como se fossem áreas de acordo que dão origem a um novo território.

“Essa área surge a partir da sobreposição de duas imagens, que são sempre nuvens em diversas formas, remetendo a algo cartográfico. Quando fiz este vídeo, parti das fotos que tinha de nuvens, e depois fiz animação dando movimento a elas, mas são fotos. Pensei na origem dos territórios, como estes partem sempre de acordos ao longo da história. Achei que a imagem da nuvem é um ótimo elemento para mostrar o quanto estes acordos são efêmeros e frágeis, já que eles estão em constante movimento, se refazendo o tempo todo", analisa a artista.

"Acordo" é uma montagem de imagens em movimento, retratando céus que se esbarram e se justapõem, estruturando zonas de arranjo que acomodam as sempre mutáveis e impositivas linhas que desenham um território. Para a curadora Julia Lima, a aleatoriedade das composições do vídeo gera um duplo entendimento: de um lado, a dimensão política de acordos de poder que estabelecem fronteiras e, de outro, a existência de uma latente fragilidade dos relacionamentos entre pessoas.

"É impossível não se perder nesses territórios estranhamente familiares, experiência que é potencializada pela trilha sonora ansiosa, de ruídos cheios de suspense que parecem reproduzir a vibração da terra ou o correr do vento. Os longos graves monotônicos (que poderiam ter saído de uma composição de John Cage ou Stockhausen) sustentam um clima de tensão e potência, em uma expectativa quase cinematográfica que nunca chega a se revelar", afirma Julia Lima.


Sobre Julia Kater: Suas obras estão presentes em acervos de importantes instituições, entre elas Museu de Arte do Rio, Museu Oscar Niemeyer, Museu de Arte de Ribeirão Preto, Centro Cultural UFG, Fundacíon Luis Seoane (La Corunha, Espanha), Fundação PLMJ (Lisboa, Portugal), e Rencontres Internacionales Paris/ Berlin - New Cinema and Contemporary Art (Paris, França). A artista participa regularmente de exposições no Brasil e no exterior, mostrando seus trabalhos na França, Estados Unidos, Bélgica e Portugal.

Suas exposições mais recentes são: Rencontres Internacionales Paris/ Berlin - New Cinema and Contemporary Art, Gaîté Lyrique (França, Paris 2017); Da banalidade - volume 1, Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, Brasil - 2016); I Bienal de Assunção (Assunção, Paraguai - 2015); Abstratión, Galeria Fernando Pradilla (Madrid, Espanha - 2016); No lugar que chegamos, MAC Jataí (Goiás, Brasil - 2016); Breu, SESI MINAS (Belo Horizonte, Brasil - 2016); e Frestas - Trienal de Artes, Sesc Sorocaba (Sorocaba, Brasil – 2014); SIM Galeria (Curitiba, Brasil - 2014).


ACORDO
Abertura: 22 de junho de 2017, às 18h30 
Exposição: de 23 de junho a 14 de julho
Horário de visitação: de segunda a quinta, das 13h às 19h.
Sexta-feira, de 13h às 18h


Galeria de Arte Ibeu 
Rua Maria Angélica, 168
Jardim Botânico - Rio de Janeiro/RJ

Edital NOVISSIMOS 2017



O Instituto Brasil Estados Unidos - Ibeu, através de seu Centro Cultural, torna público o edital de seleção para a 46ª edição do Salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS, destinado a artistas de todo o território nacional, tendo como proposta reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira, em suas variadas vertentes.

Criada na década de 1940, a Galeria de Arte Ibeu inaugura seu novo espaço em uma casa da Rua Maria Angélica, no bairro do Jardim Botânico, no estado do Rio de Janeiro. Neste novo espaço, que conta com 52m² de área expositiva, será realizada a 46ª edição do Salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS, com inauguração prevista para agosto de 2017.

As inscrições são gratuitas e acontecerão no período de 26 de maio a 18 de junho de 2017.

Os links com o Edital e a ficha de inscrição estão disponíveis abaixo:

Edital Novissimos 2017: 
https://drive.google.com/file/d/0B4jKmpqQp-E3cFFhOGp2Yy1ralU/view?usp=sharing

Ficha de Inscrição:
https://drive.google.com/file/d/0B4jKmpqQp-E3TlcyLVFwS3NsYmc/view?usp=sharing

O resultado final da seleção será publicado no blog http://ibeugaleria.blogspot.com no dia 30 de junho de 2017 7 de julho de 2017. Todos os artistas selecionados serão comunicados por email.

Boa sorte!




Galeria de Arte Ibeu muda de bairro e comemora os 80 anos do Ibeu




GALERIA DE ARTE IBEU MUDA DE BAIRRO
E COMEMORA OS 80 ANOS DO IBEU

Novo endereço fica em charmosa casa da Rua Maria Angélica, no Jardim Botânico



ABERTURA: 2 DE MAIO, TERÇA-FEIRA, ÀS 18H30


Bairro com vocação artística que abriga ateliês e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, o Jardim Botânico ganhará um reforço de peso no início do mês de maio, quando a tradicional Galeria de Arte Ibeu, criada na década de 1940, abre suas portas em uma casa da Rua Maria Angélica. Motivos para comemorar, há de sobra: trata-se da exposição que marca os 80 anos do Ibeu, “A Insistência Abstrata, nas coisas”, com curadoria de Cesar Kiraly, que é ainda membro da Comissão Cultural do Ibeu. A coletiva, com obras do Acervo do Ibeu, estará aberta à visitação de 3 de maio a 9 de junho de 2017, das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira.

Foram selecionadas ao todo onze obras emblemáticas dos artistas Anna Maria Maiolino, Bruno Belo, Claudia Hersz, Eloá Carvalho, Gisele Camargo, Lena Bergstein, Manoel Novello, Paula Huven, Raul Leal, Rosângela Rennó e Ubi Bava. “O acervo da Galeria foi obtido através de doações dos artistas que nela expuseram ao longo dos anos. Isso fornece à coleção um caráter intensamente afetivo”, avalia Kiraly. Para ele, o maior desafio é o de estabelecer um sentido combinado, que não existiria sem a sua imaginação. Como o nome indica, nesta “A Insistência Abstrata, nas coisas” são privilegiadas obras abstratas, algumas delas inéditas, de artistas que fazem parte do cânone da arte brasileira, como Ubi Bava, Anna Maria Maiolino e Lena Bergstein, combinadas com as de artistas abstratos contemporâneos, que recentemente tiveram individuais no Ibeu, como Manoel Novello e Gisele Camargo.

“A intenção é mostrar como os objetos abstratos estão presentes no cotidiano, e como fazem parte da materialidade das coisas,  peças de construção da vida comum. A relação entre as figuras tem a ver com a resistência do abstrato, mas também  com o empréstimo lírico de um registro para o outro. O abstrato ora segura o fôlego, como na pequena tartaruga do Bruno Belo, ora aporta no âmbito conceitual, na maleta ‘duchampiana’ da Claudia Hersz”, complementa o curador.


A HISTÓRIA DA GALERIA

A Galeria em Copacabana foi inaugurada em março de 1960. Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Iberê Camargo, Alexander Calder, Antonio Manuel, Lygia Pape, Artur Barrio, entre muitos outros ícones, já tiveram seus trabalhos expostos por lá. Nas décadas anteriores, antes da inauguração do espaço em Copacabana, o Ibeu promovia arte através de parcerias com espaços como o Instituto dos Arquitetos do Brasil, Ministério da Educação e Associação Brasileira de Imprensa.


ACESSIBILIDADE E MESMA ÁREA EXPOSITIVA MANTIDA EM PROJETO DE ARQUITETO

No novo espaço de 52m², projetado pelo arquiteto Maurício Castello Branco e iluminado por Rogério Emerson, não houve perda de área expositiva linear em relação à estrutura anterior, em Copacabana. Além disso, o acesso ficou bem mais fácil e a sinalização externa foi beneficiada pelo fato de estar instalada em uma casa.


PROGRAMAÇÃO DO ANO JÁ ESTÁ DEFINIDA

Segundo Renata Pinheiro Machado, Gerente Cultural do Ibeu, a Nova Galeria de Arte Ibeu contará com projetos de exposições individuais e coletivas, mantendo sua história nas artes visuais, que começou em 1940. “Nomes como o de Julia Kater e Pedro Tebyriçá figuram entre os aprovados no edital de ocupação de 2016/2017, como também o de Maria Fernanda Lucena, premiada na última coletiva "Novíssimos". Aliás, o próprio Salão de Artes Visuais Novíssimos 2017 tem data de abertura marcada entre julho e agosto”.


NOVA GALERIA DE ARTE IBEU
Endereço: Galeria de Arte Ibeu – Rua Maria Angélica, 168 - Rio de Janeiro – RJ
 
Exposição “A Insistência Abstrata, nas coisas”
Abertura: 2 de maio de 2017 (terça-feira), às 18h30
Exposição: de 3 de maio a 9 de junho de 2017
Horário de visitação: de segunda a sexta, das 13h às 19h