Texto de Fernanda Lopes para Frederico Filippi


Nada disso é verdade




Se queres transformar-te num homem de letras, e, quem sabe um dia escrever Histórias,
 deves também mentir, e inventar histórias, pois senão a tua História ficaria monótona.
(Umberto Eco)



“Estar de acordo com os fatos ou a realidade”, "ser fiel às origens ou a um padrão", ou ainda "aquilo que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores. Outras leituras possíveis trazem também o sentido de fidelidade, constância, sinceridade e boa fé em atos, palavras e caráter, além de uma relação com a ideia de “cópia ou imitação fiel”. Essas definições da palavra “Verdade” remetem ao mesmo tempo à questões centrais e opostas, como certeza, crença, realidade, imaginário e ficção.
A produção de Frederico Filippi passa por essas questões. Não pela verdade em si, como algo absoluto. Ao contrário, ele está mais interessado em nos colocar em dúvida diante daquilo que para o senso comum parece ser fonte de certeza. O mundo como o conhecemos é para ele uma invenção, estabelecida e compartilhada, e como tudo o que é inventado, é inventado por alguém, por algum motivo, e por isso poderia ser desfeito e reinventado a todo e qualquer momento.

Deuses Impostores parte desse princípio. Nessa exposição, o artista apresenta um conjunto inédito de trabalhos, feitos especialmente para Galeria IBEU. Pinturas, desenhos e vídeo estabelecem diálogos com estudos de etnólogos como Claude Lévi-Strauss e Eduardo Viveiros de Castro, sobre o Centro Oeste e a Amazônia brasileira. Essas obras nos dão pistas de uma mitologia improvisada, que alça a ciência ao patamar de divindade, tornando possível a transformação de aeronaves e objetos voadores em seres excepcionais, que descenderiam dos céus para salvar a vida humana, ou para perturbá-la. 

No meio do caminho entre abstração e figuração, as imagens reunidas em Deuses Impostores reforçam a indefinição sobre aquilo que estaríamos vendo. Ou melhor, sobre aquilo que acreditamos ver ou que nos é dado a ver. Elas estabelecem uma relação pendular entre ordem e desordem, entre real e possivelmente real, entre fidelidade e boa fé, entre certeza e crença. Nada disso é verdade. A dúvida é o motor da obra.


Fernanda Lopes


Texto de Bernardo Mosqueira para Mayra Martins Redin


(ao  meu amor)

Querido Romeo,

Essa é minha primeira carta para você, e a escrevo na ocasião da primeira exposição individual da sua mãe depois do seu nascimento. Apenas um dos trabalhos de “Nada: porque é começo da palavra esperança” foi feito depois da sua concepção, mas essa mostra, além de ser fruto de uma investigação da sua mãe sobre a relação entre nada e potência, tem muito a ver com você.

Quando você tinha ainda poucos dias de vida, seu avô Euclides Redin veio do Rio Grande do Sul lhe visitar, sua bolinha carioca cheia de bochecha. Você talvez ainda não saiba, mas seu avô é um intelectual gaúcho que dedicou a vida a pensar política e educação. Há pouco tempo, a biblioteca do vovô, que guardava 50 anos de leitura (além de documentos, manuscritos e sua forma própria de organizá-los) sofreu um incêndio após uma tentativa frustrada de roubo. O que não foi consumido pelo fogo foi destruído pela água dos bombeiros. Seu avô falou muito do som terrivelmente alto das chamas que atravessavam a casa por onde havia antes um telhado. A cadelinha dele, que talvez em breve você conheça, está até hoje traumatizada e não sai de trás do seu avô. No dia seguinte, quando sua mãe chegou, ela registrou em fotografias as ruínas e, algum tempo depois, as transformou em cartões postais. Sua mãe sempre acreditou que teria a biblioteca do seu avô como uma forma de acessá-lo e redescobri-lo, mas, com a série de postais chamada “Penúltimas”, conseguiu transformar a angústia do vazio deixado pela destruição em imagens feitas para serem enviadas por correio: testemunhamos, com esse trabalho, fluxo brotar de onde parecia não ter mais nada.

Existe uma grande responsabilidade em escrever sobre o trabalho da sua mãe. Os textos escritos por ela mesma são, sinceramente, das coisas mais bonitas que já li. Uma mistura (ao mesmo tempo complexa no conteúdo e simples na forma) de texto acadêmico, literatura e crítica da cultura, num encontro muito singular entre utopia e melancolia. Para você saber, peguei alguns livros na biblioteca de sua mãe: “A Dobra” do Gilles Deleuze, “a forma-formante” do Manoel Ricardo de Lima, “breves notas sobre as ligações” de Gonçalo M. Tavares e “A partilha do sensível” do Jacques Rancière. Talvez eu devesse ter pego algum do Roland Barthes. Sua mãe é louca por Roland Barthes.

Romeo, no trabalho que intitula esta exposição, sua mãe apagou todas as letras j´s do nome de Nadja no livro homônimo de André Breton em que ele vai atrás dessa mulher pela qual ele havia se apaixonado em Paris. Sua mãe também procurou por Nadja, subtraiu-lhe os j´s, e o resultado foi Nada, ou a própria procura, ou o próprio desejo ou a vontade de encontrar.

Há também, nessa exposição, um trabalho que apresenta instruções propostas por sua mãe para que pessoas encostem uma de suas orelhas na orelha de outra pessoa. Um dia, você vai estar um pouco maior e vai poder performar o que te conto. Duas orelhas se escutarem... parece que deveria haver uma anulação! Dois órgãos feitos a receber, mas dispostos em des-utilização proposital. Você, como o bom canceriano que é, vai logo perceber que, do suposto vazio, nasce uma harmonia entre duas batidas, entre dois corações. Mas apenas a força de se permitir colocar-se a perceber o outro se colocando a lhe perceber já é capaz de criar, onde havia vazio e anulação, tudo que uma relação pode criar.

Essas instruções iluminam a série de trabalhos chamada “escuta da escuta” da qual fazem parte objetos, instalações e desenhos. Nessa exposição, está presente a obra "Escuta da escuta ( A surdez de quem ouve:cantos)" em que duas conchas (daquelas impressionantes em que se escuta o som do mar) são postas de forma em que suas aberturas se encontram. Imagine: dois oceanos se encontrando aqui dentro da Galeria do Ibeu – e só os próprios oceanos vivem isso! Num outro trabalho, são flores diversas que em analogia fazem os ouvidos de uma corrente de escutas de escutas. E há um par de desenhos bastante especial. Em um deles, duas casas estão de frente uma para a outra, e suas portas se encontram. Todo encontro entre dois “dentros” acontece na habitação da superfície do outro. No segundo desenho, também aparecem duas casas, porém, nesse que é único trabalho da mostra feito depois de você já estar dentro da sua mãe, as portas ainda se encontram, mas com um “dentro” dentro de outro “dentro”. Não consigo imaginar nenhuma situação pra isso que não a gestação.

Essa exposição é preenchida por suspiros utópicos e poéticos de quem sente brilhar e doer a fome de mundo, a fome de outro. Toda essa exposição, Romeo, trata da infinidade de belezas que podem surgir de onde menos se espera. E, na verdade, foi assim que você, seu gorduchinho, veio até nós: ninguém esperava. Mas, sendo quase todos esses trabalhos feitos antes de você, talvez sua mãe já soubesse que a gente não te esperava, mas que – como na vida - perdíamos por não esperar.

Bernardo Mosqueira
Outubro 2014

Nada, porque é começo da palavra esperança - Mayra Martins Redin



A Galeria de Arte IBEU inaugura no dia 14 de outubro, às 19h, duas individuais simultâneas dos artistas Frederico Filippi e Mayra Martins Redin, com curadoria de Fernanda Lopes e Bernardo Mosqueira, respectivamente. Os artistas foram premiados no Salão de Artes Visuais “Novíssimos 2013”. As exposições ficarão abertas ao público de 16 de outubro a 7 de novembro, com visitação das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira, na Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar. A entrada é franca.

Mayra Martins Redin apresenta a individual “Nada: porque é começo da palavra esperança”. A artista procura fazer “junções” entre coisas para dar vasão a novos sentidos. Objetos numa postura não produtiva, próximos a um “prefiro não” do personagem Bartebly (no livro de Melville) parecem viver uma experiência onde escutam a escuta e produzem um suposto silêncio. Mas o que será que surge deste silêncio? O fato de se colocar a escuta de alguma coisa é sempre uma ação que funciona como um recorte da sonoridade do entorno. Mas, nesse caso, é também escutar o silêncio, imaginando-ouvindo o “barulho” que faz a “escuta” do outro do silêncio da sua própria escuta, o “barulho” do encontro entre os pensamentos, entre as imaginações, entre as escutas. Que sentido se produz no ato de se colocar (ou colocar algo) a escutar o outro (ou algo) que se coloca também a escutar? Diversos questionamentos surgem e lidam com a ideia de vazio e silêncio, dando voz aos ruídos que produzem balbucios, registros, uma pequena memória.

A pesquisa de Mayra parte, portanto, dos silêncios produzidos e reproduzidos mas principalmente dos ruídos, dos registros e dos rumores que qualquer silenciamento pode produzir e fazer atravessar o tempo e os corpos numa espécie de herança. Nessa exposição, essa investigação e suas imagens são organizadas em instalações compostas por fotografias, objetos e desenhos.

O curador Bernardo Mosqueira dedica o texto da apresentação da exposição para o filho recém-nascido da artista, Romeo: Essa é minha primeira carta para você, e a escrevo na ocasião da primeira exposição individual da sua mãe depois do seu nascimento. Apenas um dos trabalhos de “Nada: porque é começo da palavra esperança” foi feito depois da sua concepção, mas essa mostra, além de ser fruto de uma investigação da sua mãe sobre a proximidade entre o nada e a potência, tem muito a ver com você... Romeo, no trabalho que intitula esta exposição, sua mãe apagou todas as letras i´s do nome de Nadja no livro homônimo de André Breton em que ele vai atrás dessa mulher pela qual ele havia se apaixonado em Paris. Sua mãe também procurou por Nadja, subtraiu-lhe os i´s, e o resultado foi Nada, ou a própria procura, ou o próprio desejo ou a vontade de encontrar... Essa exposição é preenchida por suspiros utópicos e poéticos de quem sente brilhar e doer a fome de mundo, a fome de outro. Toda essa exposição, Romeo, trata da infinidade de belezas que podem surgir de onde menos se espera. E, na verdade, foi assim que você, seu gorduchinho, veio: ninguém esperava. Mas, sendo quase todos esses trabalhos feitos antes de você, talvez sua mãe já soubesse que a gente não te esperava, mas que – como na vida - perdíamos por não esperar.



MAYRA MARTINS REDIN –  “Nada: porque é começo da palavra esperança”
Abertura: 14 de outubro de 2013 (terça-feira), às 19h
Exposição: 16 de outubro > 7 de novembro de 2014
Horário de visitação: segunda a sexta, das 13h às 19h
Endereço: Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar - Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 3816-9473

Deuses Impostores - Frederico Filippi



A Galeria de Arte IBEU inaugura no dia 14 de outubro, às 19h, duas individuais simultâneas dos artistas Frederico Filippi e Mayra Martins Redin, com curadoria de Fernanda Lopes e Bernardo Mosqueira, respectivamente. Os artistas foram premiados no Salão de Artes Visuais “Novíssimos 2013”. As exposições ficarão abertas ao público de 16 de outubro a 7 de novembro, com visitação das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira, na Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar. A entrada é franca.

Frederico Filippi e Mayra Martins Redin foram premiados pela Comissão Cultural do Ibeu pelos melhores trabalhos do Salão de Artes Visuais Novíssimos, realizado em 2013 – Frederico Filippi pela obra “Estruturalismo Tardio” e Mayra Martins Redin pelo conjunto da obra apresentado. O prêmio é a exposição individual que as artistas inauguram no próximo dia 14.

Em Deuses Impostores, o artista paulista Frederico Filippi apresenta ao público da Galeria IBEU uma abordagem irônica a respeito da deificação da tecnologia tornando possível a transformação de aeronaves e objetos voadores em seres excepcionais, caprichosos e imperfeitos que descenderiam dos céus para perturbar a vida humana. A exposição reúne pinturas, desenho e vídeo que se configuram, em conjunto, como uma coleção de imagens de arquivo antropológico sobre uma mitologia improvisada.

“Se formalmente estes trabalhos parecem não ter muito em comum com Estruturalismo Tardio, premiado na exposição Novíssimos (realizada em 2013 na Galeria Ibeu), eles compartilham o universo de pesquisa a partir do qual aquele trabalho e minha produção vem se construindo”, aponta Frederico Filippi.

“A relação com a noção de história é motor da produção mais recente do artista, interessado em diálogos com estudos de etnólogos como Claude Lévi-Strauss e Eduardo Viveiros de Castro, que estudaram o Centro Oeste e a Amazônia brasileira. Para Frederico Filippi, a história é fortemente marcada pela ideia de construção, e se dá na relação, deixando de lado verdades absolutas e movimentos fechados de causa e efeito”, aponta Fernanda Lopes, curadora da exposição.



FREDERICO FILIPPI - "Deuses Impostores"
Abertura: 14 de outubro de 2013 (terça-feira), às 19h
Exposição: 16 de outubro > 7 de novembro de 2014
Horário de visitação: segunda a sexta, das 13h às 19h
Endereço: Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar - Rio de Janeiro – RJ  
Tel.: (21) 3816-9473 

O que está em jogo? - Texto de Fernanda Lopes para Claudia Hersz



O que está em jogo?


Alice estava cansada de ficar sentada na beira do lago, com a irmã, sem nada para fazer. Foi quando de repente um coelho branco passou correndo por ela. "Oh meu Deus! Vou me atrasar!", dizia o animal enquanto consultava o relógio de bolso do seu colete. Curiosa, Alice correu pelo campo atrás do coelho a tempo de vê-lo pular para dentro de uma toca embaixo de uma cerca. Um segundo depois, pulou atrás dele, sem nem pensar como sairia de lá. E nem onde é "lá". “O País das Maravilhas nasceu assim, inventado”, avisa Lewis Carroll logo na primeira página do livro, lembrando a origem da história, feita por ele de improviso para entreter três irmãs durante um passeio de barco no rio Tâmisa em julho de 1862. Considerado um clássico literário do gênero nonsense, "Alice no País das Maravilhas" nos leva a um lugar que não obedece aos padrões de mundo que conhecemos, regido pela lógica do absurdo.

Ao passar pelo arco dourado, Cosmopolita, de Claudia Hersz, também parece nos transportar do espaço da Galeria Ibeu, no coração de um dos bairros mais conhecidos do mundo, para outro mundo. Ou melhor, parece nos fazer pensar por alguns instantes "E se as coisas como conhecemos funcionassem a partir de outra lógica?". “Tudo em Lewis Carroll começa por um combate horrível”, aponta Gilles Deleuze em texto sobre o escritor inglês. Em Claudia Hersz também. Um embate que tem como ponto de partida a ideia de que o mundo como conhecemos é um mundo construído, a partir de nomeações e convenções que a maioria de nós aceita, e por isso, só por isso, ele funciona. Mas a partir do momento em que percebemos que essas são convenções, criadas, abrimos a possibilidade, mesmo que teórica, de construir outros mundos possíveis a partir de outros modos de operação.1 
   
Cosmopolita é aquele que cruza fronteiras, que não se fixa em uma identidade (no caso nacional) específica. É aquele que parece saber que os mapas desenhados como conhecemos são, antes de tudo, desenhos de fato, linhas arbitrárias que constroem espaços no papel e que se alteraram ao longo da nossa história. História, aliás, que é outra certeza colocada à prova por Hersz em suas apropriações de Hokusai e Jean-Baptiste Debret, e também na coleção particular da artista com obras de arte notórias - que apresentadas em miniaturas, alteram pontos de referências fundamentais para a arte: cor, forma e escala. História que é resultado de constantes e sucessivos embates, e que tem seu curso alterado a partir de quem sai vencedor em cada um deles. História como um jogo, como a série de jogos de tabuleiro que a artista apresenta, com confrontos e peças aparentemente os mais improváveis. O que está em jogo aqui? Quais as regras do jogo? Fazer essas perguntas é um bom começo.


Fernanda Lopes
Agosto de 2014

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1  Não por acaso Carrol escreve "Alice no País das Maravilhas" um ano antes do Salão dos Recusados, um dos marcos na história da arte de questionamento das normas e convenções do que se entendia e como se fazia arte até então.

Cosmopolita - Claudia Hersz


A Galeria de Arte Ibeu apresenta a partir do dia 9 de setembro Cosmopolita, de CLAUDIA HERSZ, artista selecionado através do edital do Programa de Exposições Ibeu. A mostra estará aberta à visitação de 10 de setembro a 3 de outubro, das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira, na Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar. A entrada é franca.

A exposição individual faz um panorama dos últimos anos de produção da artista, em um projeto pensado especialmente para o espaço em Copacabana. Reunindo objetos, vídeo e desenhos, Cosmopolita se apresenta como uma grande instalação que tem como ponto de partida uma iconografia de "recuerdos" de turismo para questionar fronteiras geográficas, países, culturas e suas pretensas dissoluções, além de uma releitura sobre uma outra viagem - a Voyage Pittoresque de Debret.

Segundo a curadora da mostra, Fernanda Lopes, “Ao passar pelo arco dourado, Cosmopolita, de Claudia Hersz, também parece nos transportar do espaço da Galeria Ibeu, no coração de um dos bairros mais conhecidos do mundo, para outro mundo. Ou melhor, parece nos fazer pensar por alguns instantes "E se as coisas como conhecemos funcionassem a partir de outra lógica?".

Hersz amplia seu campo de ação analisando outros "cosmos", como o do Colecionismo e o da Arte – a partir da ideia da Arte como parque temático. Apresenta peças da série A Minha Coleção, que consiste em miniaturas de obras de outros artistas (Rauschemberg, Louise Bourgeois, Anna  Bella Geiger, Barrão, Alexandre Vogler , entre outros). Estas peças, majoritariamente na escala 1/Barbie, convivem com uma sala de jogos, oferecendo ao espectador a possibilidade de vivenciar estes embates, similaridades e antagonismos - em micro e macrocosmos.






Sobre a artista

Claudia Hersz, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFRJ, participou de exposições no Brasil e no exterior (Suíça, EUA, Colômbia e Cuba). Integrou a 7ª Bienal do Mercosul com a  obra Babo Merleau, além de coletivas como Abre-Alas 2011 (Gentil Carioca-RJ), Nova Escultura Brasileira (Caixa Cultural-RJ), 10º Salão da Bahia. Integrou a edição Rumos Itaú Cultural 2011/2013 e a exposição DESLIZE no MAR-RJ. Seu projeto Ninhumanos foi contemplado pelo Prêmio Interferências Urbanas/RJ 2008, recebeu o prêmio aquisição 2011 no Salão de Pequenos Formatos UNAMA-Pará. Apresentou, em 2010, a individual ToYS É NóIS no Centro  Cultural Justiça Federal-RJ, ::KHAZA:: no Espaço Cultural Sergio Porto, em 2011, e no Centro Cultural São Paulo em 2012 (Prêmio Aquisição para a Coleção de Arte de São Paulo) e Ao Modo Quase Clássico, na Galeria Portas Vilaseca - RJ. Tem obras nas coleções de arte da cidade de São Paulo (SP), Gilberto Chateaubriand (RJ), Fundação Romulo Maiorana (PA), além de diversas coleções particulares.


Claudia Hersz – Cosmopolita
Curadoria: Fernanda Lopes
Abertura: 9 de setembro de 2014 (terça-feira), às 19h
Exposição: 10 de setembro > 3 de outubro de 2014
Horário de visitação: segunda a sexta, das 13h às 19h – entrada franca
Local: Galeria de Arte Ibeu
Endereço: Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar - Rio de Janeiro – RJ 
Telefone: (21) 3816-9473

Como desenhar crianças - Texto crítico de Paulo Gallina



Como desenhar crianças


As pinturas da série Primeira leitura (2013-14) comentam certo adestramento do animal humano em seus primeiros anos. Como se, para criar um adulto normal, um ser culturalmente adaptado, fosse necessário carregá-lo de compreensões predefinidas sobre o mundo. Atuando de forma perversa, a educação poda a liberdade infantil, desprovida de preconceitos, com o intento de produzir adultos dispostos a aceitar a sociedade como ela é, evitando a transformação.

Sempre entre se revelar e desaparecer, as imagens desta série atuam como a dúvida que as define. As duas camadas de tinta, uma diluída e outra aplicada diretamente, indiciam esse movimento. A primeira camada, diluída, torna o preto em cinza e indica sombra ou apagamento; a segunda, depositada diretamente do tubo de tinta, é clara e age como uma linha que revela a imagem. A própria maneira de pintar de Marcelo Amorim então indica discursos escondidos em discursos.

Essas construções explicitam um procedimento moralizante transmitido para as gerações mais jovens através não dos preconceitos – habitantes da margem de nossa cultura – mas sim da mais explícita implicação cultural no ocidente, o livro. O artista tenciona as leituras indicadas pelos autores, de quem se apropria de desenhos e as frases que os acompanham, para assim explicitar paradigmas repressores disfarçados como aceitação do outro.


Paulo Gallina

Como desenhar crianças - Marcelo Amorim




No dia 5 de agosto será aberta a individual “Como desenhar crianças”, de MARCELO AMORIM, artista selecionado através do edital do Programa de Exposições Ibeu. A mostra, que acontece na Galeria de Arte Ibeu, estará aberta à visitação de 6 a 29 de agosto, das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira, na Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar. A entrada é franca.

A mostra Como desenhar crianças tem texto crítico de Paulo Gallina e é composta por trabalhos em papel em grandes dimensões, nos quais o artista reproduz, com tinta acrílica e aquarela, ensinamentos extraídos de cartilhas escolares dos anos 1920. Além das aquarelas de grande formato, a exposição conta com pinturas a óleo, desenhos a carvão e fotografias apropriadas.

As imagens presentes nas obras que fazem parte dessa exposição foram encontradas por Marcelo Amorim em suas constantes visitas à sebos de livros antigos, bazares e lojas de segunda mão. Esses trabalhos dão segmento a um tema já pesquisado pelo artista há alguns anos: o aprendizado baseado em imagens aparentemente inofensivas, mas que são na realidade tendenciosas. “Nesta série procuro refletir sobre o fato de usarmos livros didáticos culturalmente tendenciosos desde a primeira infância e em tantas situações. Determinadas imagens reforçam o poder, intimidam, ou simplesmente promovem a manutenção de opiniões que favorecem os que detêm o poder”, explica.

“Essas construções de Marcelo Amorim explicitam um procedimento moralizante transmitido para as gerações mais jovens através não dos preconceitos – habitantes da margem de nossa cultura – mas sim da mais explícita implicação cultural no ocidente, o livro. O artista tenciona as leituras indicadas pelos autores, de quem se apropria de desenhos e as frases que os acompanham, para assim explicitar paradigmas repressores disfarçados como aceitação do outro”, analisa ainda o curador Paulo Gallina. 

Marcelo Amorim nasceu em Goiânia, GO, em 1980. Vive e trabalha em São Paulo. Fez diversas exposições coletivas e individuais, sendo as mais recentes, em 2014: Primeira leitura (Zipper Galeria, São Paulo, SP) e Ventriloquia (Temporada de Projetos, Paço das Artes, São Paulo, SP).

Na abertura, haverá o lançamento do livro “Primeira Leitura”, sobre a obra de Marcelo Amorim, com organização de Paulo Gallina e co-edição de Ateliê397 e Zipper Galeria.



Marcelo Amorim - “Como desenhar crianças”
Abertura: 5 de agosto de 2014 (terça-feira), às 19h
Exposição: 6 de agosto / 29 de agosto
Horário de visitação: segunda a sexta-feira, das 13h às 19h
Endereço: Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar - RJ  

NOVISSIMOS 2014 | Vistas da exposição


Catálogo NOVISSIMOS 2014


Convite NOVISSIMOS 2014


Galeria Ibeu convida para a inauguração do 44º Salão de Artes Visuais NOVISSIMOS 2014. 

Inauguração: 5 de junho de 2014, de 19h às 22h.
Visitação: 06 de junho a 25 de julho - segunda a sexta, de 13h às 19h

Durante a cerimônia anunciaremos o(s) artista(s) premiado(s) com 1 exposição individual na Galeria Ibeu em 2015.

Resultado NOVISSIMOS 2014

 A Diretoria do Ibeu torna público o Resultado Final de NOVISSIMOS 2014:

- Alexandre Colchete (RJ)
- Ana Paula Emerich (RJ)
- Andrey Zignnatto (SP)
- Bia Martins (RJ)
- Bianca Madruga (RJ)
- Eduardo Montelli (RS)
- Felipe Abdala (RJ)
- Felipe Ferreira (RJ)
- Gabriela Mureb (RJ)
- Juana Amorim (RJ)
- Julia Arbex (RJ)
- Marcella Mazzoni (RJ)
- Maya Dikstein (RJ)
- Piti Tomé (RJ)
- Raquel Versieux (MG/RJ)
- Tatiana Chalhoub (RJ)

A Galeria Ibeu agradece a todos os inscritos.

Informe NOVISSIMOS 2014 - SEGUNDA FASE




Atualização NOVISSIMOS 2014: Informamos que os artistas selecionados para a Segunda Fase de NOVISSIMOS 2014 receberão até às 19h de hoje (sexta-feira 2 de maio de 2014) um comunicado por email, indicando a data de entrega dos trabalhos para a seleção final.

Este resultado será divulgado apenas por email. O artista que NÃO receber a nossa mensagem NÃO foi convocado para a próxima etapa.

A Galeria Ibeu agradece a todos os inscritos.

NOVISSIMOS 2014 - Atualização

A Comissão Cultural do Ibeu informa que os artistas selecionados para a segunda fase do Salão NOVISSIMOS 2014 serão comunicados por email, conforme item 3.2 do Edital, APENAS a partir do dia 30 de abril. Agradecemos a compreensão.


O VERSO - ANA HUPE


A Galeria de Arte IBEU inaugura no dia 15 de abril, às 19h, duas individuais simultâneas dos artistas Ana Hupe e Jonas Arrabal, com curadoria de Bernardo Mosqueira e Fernanda Lopes, respectivamente. Os artistas foram selecionados através do edital do Programa de Exposições Ibeu. As exposições ficarão abertas ao público de 16 de abril a 16 de maio, com visitação das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira, na Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar. A entrada é franca.

A exposição O Verso, de ANA HUPE, alcança o horizonte, vai atrás da linha que sugere o infinito entre o mar e o céu. É sobre a escrita e o nado, sobre como construir uma caverna kafkiana para si no século XXI, sobre como escrever sem palavras. Tecendo relações entre o universo que rodeia os livros, a paisagem e a água, O Verso reúne um projeto instalativo com aparas de livros, uma canoa e a linha do horizonte inversa, vista das Ilhas Cagarras, da cidade do Rio de Janeiro, escrita e reescrita nas paredes.

Para Bernardo Mosqueira, curador dessa exposição: “Na parede, linhas repetem o horizonte que, agora, é verso. Como ondas, como pautas de um caderno, como códigos de uma escrita, há, sobre o branco, o azul do papel carbono formando uma ode à própria escrita e à sua relação com a vida como modo de inscrição sobre a superfície terrestre. Sobre as linhas, um conjunto de fotografias, serigrafias, objetos e outros tipos de anotações importantes para uma associação entre nadar, estar no mar, estar só, meditar e escrever como processo singular de elaboração do mundo e de estar no mesmo. Essa exposição vem mostrar que há tipos de dança que ensinam a beleza da solidão que nos é tão ontológica quanto a angustia, o desamparo, a morte e o tesão... O interessante é que falamos da escrita, mas os textos de Ana Hupe não aparecem por aqui. Ela escreve muito, mas corta tudo depois. Segundo ela “prefiro não”. Mas está lá: “Escrever teria alguma coisa a ver com uma solidão essencial”.


Ana Hupe nasceu no Rio de Janeiro, 1983. Vive no Rio de Janeiro. Doutoranda em Linguagens Visuais pela EBA - UFRJ,  mestrado em Artes pela UERJ. Integrou o coletivo Opavivará de 2009 a 2013. Atualmente dá aulas no curso de Artes Visuais da EBA - UFRJ, de oficina de criação 3D. Em 2014, participa da mostra Performatus 1, na Central Galeria de Arte, SP; de residência com o fotógrafo de performance Manuel  Vason, na Casa do Sol, Instituto Hilda Hilst, Campinas, SP; de exposição no evento “Premiére Vision”, São Paulo. Em 2013, foi uma das artistas premiadas no Edital de Honra ao Mérito Arte e Patrimônio, do Iphan, com exposição a ser realizada no Paço Imperial RJ, em 2014; faz livro exposto no projeto Cartonera Caraatapa, na galeria A Gentil Carioca; participa de exposição coletiva na galeria TAL, na Fábrica da Bhering; publica nas edições 25 e 26 da revista Arte & Ensaios, do programa de Pós Graduação em Artes Visuais da EBA-UFRJ; passa um mês em residência no La Ene, Buenos Aires, onde desenvolve trabalhos expostos na mostra individual "Mirar intensamente las palabras hasta que desaparezcan”; apresenta trabalhos no Espaço Cultural Sergio Porto, Rio de Janeiro; publica artigo na revista GAMA, da Universidade de Belas Artes de Lisboa, onde apresenta performance.

SINFONIA TEMPO - JONAS ARRABAL



No dia 15 de abril inauguramos a individual sinfonia tempo, de JONAS ARRABAL, artista selecionado através do edital do Programa de Exposições Ibeu. A mostra, que acontece na Galeria de Arte Ibeu, estará aberta à visitação de 16 de abril a 16 de maio, das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira, na Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar. A entrada é franca.

JONAS ARRABAL apresenta sinfonia tempo, com dois trabalhos inéditos, desenvolvidos especialmente para a exposição na Galeria IBEU. Théatron #1 é uma "piscina" de tábua (que também se assemelha a uma palco), revestida de fibra de vidro. Nesse urdimento (semelhante aos utilizados no teatro, que ficam sobre o palco), oito refletores estarão pendurados e permanecerão apontados para dentro da piscina, que terá água do mar. “Para esse trabalho fiquei pensando na ideia de representação. Nesse palco/piscina que quero construir dentro da galeria algo acontece potencialmente ali dentro: o calor dos refletores fará, com o tempo, que a água desapareça e torne evidente o sal, que antes estava diluído pela água. Penso muito nessas questões de trabalho em relação ao tempo, na transformação (ou possibilidade), na necessidade do desaparecimento para surgimento de outra coisa (relação entre a água e o sal), na ideia de impermanência (que estaria também relacionado com uma ideia de tempo). Em muitos trabalhos há uma tentativa de tornar o tempo visível, através dos processos”, diz o artista.

Deus ex Machina trata-se de uma projeção de um filme em que escrevi o roteiro e editei.  Nesse roteiro eu travo uma conversa com o que eu chamo de máquina, uma espécie de oráculo. Desde que comecei a trabalhar com o vídeo, questões como tempo e imagem se tornaram evidentes. Pois, a partir do momento em que trabalho com tempo me permito livremente afirmar que trabalho com escultura. Não penso na escultura enquanto um objeto final, definido, estático, tal qual a escultura tradicional, onde o artista usando uma ferramenta retira o excesso de pedra, bruta, por exemplo, dando forma a um objeto. Mas que na manipulação do vídeo, no processo de edição, estou manipulando o tempo, na semelhança entre o processo de edição e o processo de escultura, onde se elimina o excesso, até o resultado final ser o corpo desejado.

A curadora Fernanda Lopes diz: “Na exposição sinfonia tempo Jonas Arrabal apresenta dois trabalhos inéditos. Na instalação Théatron #1 (2014) o artista monta na galeria uma piscina de madeira medindo 220 x 480 cm e com 5 cm de altura, e um urdimento do mesmo tamanho, pendurado no teto, a uma altura de cerca de 1m do chão. Os oito refletores pendurados no urdimento permanecerão apontados para o chão, dentro da piscina/palco, que terá água do mar. Ao longo do tempo da exposição, a água vai evaporar, deixando apenas o sal, antes invisível por estar diluído na água. Já o vídeo Deus ex Machina (2014) tem como ponto de partida uma peça escrita pelo próprio artista há alguns anos. Reescrito, o roteiro apresenta a conversa de um homem com uma espécie de oráculo, que chama de máquina. Às perguntas que o homem faz em voz alta, o oráculo responde através das legendas do filme. Nessa conversa ficam claros temas como o tempo, a permanência ou impermanência, e a ideia de representação – e assim referencias às artes visuais e ao teatro (que também se faz presente no título do vídeo. Deus ex machina é uma expressão latina vinda do grego "ἀπὸ μηχανῆς θεός" (apò mēchanḗs theós), significa literalmente "Deus surgido da máquina" e é utilizada para indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra de ficção ou drama.


Jonas Arrabal é natural de Cabo Frio. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. É mestrando em artes visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e atualmente cursa o programa de Aprofundamento da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.  Sinfonia tempo é a terceira individual do artista. Entre as principais exposições, se destaca: 42º Salão Novíssimos (Galeria IBEU, 2012), As Horas Não Passam para as Pessoas Felizes (Casamata, 2012), Hipotética (Largo das Artes, 2013) e Deslize (MAR - Museu de Arte do Rio, 2014).

NOVISSIMOS 2014 - Edital



Serão realizadas as inscrições no período de 25 de fevereiro a 21 de março de 2014 para a 44ª edição do Salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS, idealizado e organizado pela Galeria de Arte Ibeu, localizada na sede do Instituto Brasil-Estados Unidos, em Copacabana, no Rio de Janeiro, RJ.

O objetivo de NOVÍSSIMOS é reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira.

Inscrições: de 25 de fevereiro a 21 de março de 2014

O edital e a ficha de inscrição poderão ser obtidos em http://ibeugaleria.blogspot.com/. A ficha de inscrição e o dossiê do artista deverão ser enviados por SEDEX (com data de postagem até 21 de março de 2014) ou entregues diretamente no Centro Cultural Ibeu: Av. N. Sra. Copacabana, 690 – 11º andar, Copacabana – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 22050-001. Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 18h. Contato: galeria@ibeu.org.br


EDITAL: https://drive.google.com/file/d/0B4jKmpqQp-E3QkNLNGh1U2xlSG8/edit?usp=sharing

Programa de Exposições Galeria Ibeu 2014 - Resultado Final



Programa de Exposições Galeria Ibeu 2014 - RESULTADO


Em conformidade com o Edital do Programa de Exposições Galeria Ibeu 2014, a Comissão Cultural do Ibeu torna público o conjunto de artistas selecionados para integrar a programação da Galeria de Arte Ibeu em 2014. Dentre 148 projetos inscritos, a Comissão Cultural selecionou os seguintes:


Ana Hupe
Claudia Hersz
Elisa Castro
Jonas Arrabal
Marcelo Amorim
Paula Scamparini


A Galeria de Arte Ibeu agradece a todos os inscritos. Entraremos em contato com os selecionados ao longo da semana.