Ivair Reinaldim entrevista Jimson Vilela

 

Clique na imagem para acessar a entrevista de Ivair Reinaldim com o artista Jimson Vilela, realizada em ocasião de sua exposição individual na Galeria de Arte Ibeu.

Abaixo, trecho da entrevista:


Ivair Reinaldim – Como surgiu seu interesse em desenvolver um projeto que articulasse esses dois pontos geográficos, Copacabana, no Rio de Janeiro, e Copacabana, na Bolívia?

Jimson Vilela – O projeto nasceu durante a primeira viagem que fiz até Copacabana, Bolívia, em 2009. Me interessei pelo nome e comecei a investigar uma possível migração da palavra. A ideia foi pensar que ela vai viajando de conversa em conversa, entra pelo ouvido de um e ganha outra entonação na boca de outro; perceber como uma coisa, que é éter, ganha um corpo (sonoro ou escrito) até chegar a outro corpo. A palavra migrando traz para mim a imagem de um corpo que também migra e atravessa essas fronteiras geográficas/políticas.


IR – Então tudo começou pela grafia e sonoridade da palavra Copacabana, para só depois estender-se para os referentes geográficos. Você chegou a investigar a origem etimológica do vocábulo ou mesmo o processo histórico de migração da palavra de uma região a outra?

JV – Investiguei ambos. Copacabana deriva de Kota Kahuana, do dialeto Aymara, que significa "vista do lago". Há outra hipótese, que o nome venha do Quichua e signifique algo como "lugar luminoso". Enfim, a cidade de Copacabana foi um lugar de culto religioso do povo de Tiwanaku (civilização pré-inca). Eles acreditavam que a origem do universo começou no lago Titicaca.

O que acontece com a chegada dos espanhóis é um sincretismo religioso: um jovem pescador local presencia a aparição de Nossa Senhora (de Copacabana), esculpe-se uma imagem, ergue-se uma catedral na cidade e começam os cultos à santa.

No século XVII, comerciantes de prata bolivianos e peruanos trouxeram uma réplica dessa imagem para a praia do Rio de Janeiro, então chamada de Sacopenapã (nome tupi que significa "caminho de socós"). Sobre um rochedo construíram uma capela em homenagem à santa, que, com o tempo, passou a designar a praia e o bairro. Em 1914, a capela é demolida para dar lugar ao atual Forte de Copacabana.

O trabalho principal da mostra tem uma ligação com essa pesquisa. A plataforma localizada no centro da galeria, que termina na janela, apresenta-se como uma réplica dos píeres da cidade de Copacabana. No entanto, o que proponho aqui é um mergulho do visitante na própria Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Clipping Veja Rio - Inauguração da individual de Jimson Vilela


JIMSON VILELA
As legendas não descrevem o lugar onde termina o horizonte dos seus olhos 

Inauguração: HOJE, 15 de janeiro, às 19h

As legendas não descrevem o lugar onde termina o horizonte dos seus olhos




A exposição As legendas não descrevem o lugar onde termina o horizonte dos seus olhos, de Jimson Vilela, é o resultado de uma proposição investigativa sobre a migração da palavra “Copacabana”. Jimson fez o caminho inverso ao da migração da palavra saindo da cidade do Rio de Janeiro até a cidade de Copacabana na Bolívia, neste percurso realizou anotações e projetos instalativos que culminam na montagem apresentada na Galeria Ibeu.

"A experiência de viajar e a necessidade de conhecer as regiões visitadas para poder realizar plenamente meus projetos modificaram em muito minha relação com o espaço expositivo, até mesmo com o Rio de Janeiro. Me sinto nômade e acho que isto reposiciona meu olhar em relação ao que fiz anteriormente, estando fixo. Consigo ver com estranheza aquilo que me é familiar.", declara o artista, em entrevista com o curador.

Uma primeira montagem de As legendas não descrevem o lugar onde termina o horizonte dos seus olhos foi realizada nas instalações do Centro Cultural Brasil – Bolívia, na cidade de La Paz – Bolívia. E fez parte da 7ª Bienal Internacional de Arte da Bolívia, 2011. O projeto conta com o apoio do Ministério da Cultura através do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural.


As legendas não descrevem o lugar onde termina o horizonte dos seus olhos
Individual de Jimson Vilela (artista selecionado pelo Programa de Exposições Galeria Ibeu 2012) 
Curadoria: Ivair Reinaldim
Abertura: Terça-feira, 15/01, às 19h
Exposição: 16/01 a 8/02, de segunda a sexta, de 13h às 19h