Clipping Anton Steenbock


(Esq) Texto de Rafael Fonseca para a exposição GATILHOS 
publicado no Jornal do Commercio (20-22 abril)

(Dir) Clipping da exposição GATILHOS no site arte | ref

2012 | GATILHOS - Inauguração 10 de abril

GALERIA DE ARTE IBEU apresenta “Gatilhos”,
primeira individual do alemão ANTON STEENBOCK
no Rio de Janeiro

Abertura: 10 de abril de 2012 (terça-feira), às 20h
Exposição: 11 a 27 de abril de 2012, de segunda a sexta, de 13h às 19h
Curadoria: Fernanda Pequeno




No dia 10 de abril será aberta a individual “Gatilhos”, do alemão ANTON STEENBOCK, artista selecionado através do edital do Programa de Exposições Ibeu. A mostra, que acontece na Galeria de Arte Ibeu, estará aberta à visitação de 11 a 27 de abril, das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira, na Av. N. Sra. de Copacabana, 690 | 2º andar. A entrada é franca.

ANTON STEENBOCK apresenta a exposição “Gatilhos”, composta por desenhos, vídeos, fotografias e instalações. Os trabalhos propostos, em sua maioria, utilizam a eletricidade como ponto de partida e forças físicas em execução.

Ventiladores aparecem repetidas vezes como forma de manipular uma força que mesmo invisível se faz presente. No trabalho Cadernos de Notas, dois pequenos ventiladores disputam a leitura de um caderno de notas, onde a força de cada aparelho é equivalente e estende-se o acontecimento ao infinito. Já em Cesta Básica, o vento é usado como forma de sustentação de um tecido preso a pequenas garrafas de vidro.

Anton também apresenta trabalhos com materiais descartados, entulho, poucos recursos, mas com uma precariedade extremamente clean, bem arranjada.

Para Fernanda Pequeno, curadora da exposição: No imaginário brasileiro, a prática da gambiarra está ligada ao improviso, a um “jeitinho” provisório, que muitas vezes se perpetua. De qualquer maneira, a ela está ligada a precariedade de algo mal acabado, mesmo sendo essas soluções extremamente criativas. Na prática artística de Anton Steenbock, tal procedimento toma contornos gráficos bastante precisos e essa aparência de algo “arranjado” adquire outros delineamentos... Caderno de Notas, Cesta Básica, Desenhos Técnicos, Reza Forte, True Romance, Vela Auto-extinguível e as fotografias de diferentes séries lidam diretamente com a ideia de gambiarra, o que salienta seu caráter processual, provisório. A galeria, assim, passa a ser entendida não somente como espaço de exposição, mas como um laboratório, onde investigação e experimentação acontecem como extensões do ateliê e da rua, locais de produção do artista. E é assim que os trabalhos de Anton Steenbock funcionam como gatilhos poéticos. A eles, não apenas temos acesso como, em muitos casos, determinamos o rumo que a própria experiência irá tomar.



Anton Steenbock tem 27 anos, nasceu em Frankfurt, na Alemanha. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Este ano, além desta primeira individual no Rio de Janeiro, Anton foi selecionado para o Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo. Além das diversas exposições apresentadas na Alemanha, participou de mostras em São Paulo e no Rio de Janeiro, como “Abre Alas” (A Gentil Carioca), em 2011.

EDITAL NOVÍSSIMOS 2012



Será realizado no período de 12 de julho a 10 de agosto de 2012 a 42ª edição do Salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS, idealizado e organizado pela Galeria de Arte Ibeu, localizada na sede do Instituto Brasil-Estados Unidos, em Copacabana, no Rio de Janeiro, RJ.

O objetivo de NOVÍSSIMOS é reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira.



Inscrições: de 02 a 20 de abril de 2012


O edital e a ficha de inscrição poderão ser obtidos nos links abaixo (Google Docs):








A ficha de inscrição e o dossiê do artista deverão ser enviados por SEDEX (com data de postagem até 20 de abril de 2012) ou entregues diretamente no Centro Cultural Ibeu: Av. N. Sra. Copacabana, 690 – 11º andar, Copacabana – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 22050-001. Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 10h às 18h.

2012 | GATILHOS, Anton Steenbock - Texto de Fernanda Pequeno

GATILHOS
Fernanda Pequeno


O termo gatilho pode tanto dizer respeito ao disparador de armas de fogo, quanto significar remendo, gambiarra. No segundo caso, alude a consertos paliativos - feitos emergencialmente para que determinada coisa não fique sem uso - e a dispositivos lógicos ou eletromecânicos que disparam determinado trabalho ou função. Em todos os casos, o uso do vocábulo se aplica ao trabalho de Anton Steenbock: tanto no que diz respeito às intervenções urbanas - nas quais o artista compreende a urbe como um espaço de “resistência”, de atuação guerrilheira, onde as “armas” são suas ações -, quanto aos mecanismos que desenvolve. Por mais que um procedimento se nutra do outro, os segundos são o foco da presente exposição.

No imaginário brasileiro, a prática da gambiarra está ligada ao improviso, a um “jeitinho” provisório, que muitas vezes se perpetua. De qualquer maneira, a ela está ligada a precariedade de algo mal acabado, mesmo sendo essas soluções extremamente criativas. Na prática artística de Anton Steenbock, tal procedimento toma contornos gráficos bastante precisos e essa aparência de algo “arranjado” adquire outros delineamentos. Suas fiações e invenções têm engenharia, mas esses projetos ganham ares minimalistas em sua apresentação, desmistificando a noção de que precariedade necessariamente é sinônimo de mau acabamento.

Nessa primeira individual que o artista realiza no Rio de janeiro – Anton Steenbock é alemão, mas vive entre Rio de Janeiro e Berlim -, temos trabalhos de diferentes fases. Fica claro, nesse caso, que Anton não limita sua produção a um suporte ou tema, mas que concentra sua pesquisa em determinado corpus conceitual. A aparência “mambembe” de suas engenhocas, por sua vez, não é circunstancial, mas caso pensado e executado. O interesse do artista por elementos da cultura brasileira, como a referência a despachos de umbanda - bastante presentes nessa exposição - torna-o “observador participante” dessa realidade. Nesse caso, o próprio Anton é “informante”, ao mesmo tempo em que observador atento e curioso dessa cultura, que o interessa e instiga.

Se a ideia de precariedade pode ter raízes estruturais (adversidades sócio-econômicas, culturais etc.), também pode dizer respeito a opções formais, que sugerem a construção a partir de recursos limitados. Mas diferentemente da produção de artistas vinculados a uma “Estética da Gambiarra”¹, os trabalhos de Anton, por mais que se nutram de oferendas religiosas, materiais descartados, entulho, poucos recursos etc. têm uma precariedade extremamente clean, bem arranjada.

É dessa maneira que os desenhos, vídeos, fotografias e instalações que Anton Steenbock realiza são operações formais calculadas. Caderno de Notas, Cesta Básica, Desenhos Técnicos, Reza Forte, True Romance, Vela Auto-extinguível e as fotografias de diferentes séries lidam diretamente com a ideia de gambiarra, o que salienta seu caráter processual, provisório. A galeria, assim, passa a ser entendida não somente como espaço de exposição, mas como um laboratório, onde investigação e experimentação acontecem como extensões do ateliê e da rua, locais de produção do artista. E é assim que os trabalhos de Anton Steenbock funcionam como gatilhos poéticos. A eles, não apenas temos acesso como, em muitos casos, determinamos o rumo que a própria experiência irá tomar.


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¹ Para uma boa definição do termo, ver o Glossário de Arte Contemporânea que Guy Amado assina no site do Itaú Cultural, datado de março / abril de 2009, disponível em: http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&cd_materia=861