06 março 2012

2012 | Leila Danziger - Um minarete para uma paisagem íntima

“Sob as ondas trêmulas do mormaço, a monotonia.”

Temporalidade espessa, que transcorre
vagarosamente e se consome sob o sol...


Ouvimos que ali outrora havia um jardim. As imagens persistem para comprovar essa existência. Território de Cuba no Líbano? Doce ironia do destino. Uma extinta janela cujo índice insiste em nos alertar para sua capacidade de nos dar a ver que excede todas as demais vidraças. Grades, tijolos, espelhos que se desgastam. Como negar uma realidade que o tempo não permite apagar?

Tempo este que se presentifica na imensidão das pequenas coisas, na pipa que brinca no ar, na água que escorre pela montanha e se confunde com as ondas do petit pavé, no bailado dos guarda‐chuvas que lembram um Goeldi em movimento, no mundo em miniatura da casa de bonecas que se reflete nos coloridos blocos de construção, na sobreposição de fotos de um antigo álbum de família fragmentado. A memória registra‐se na pele dessas imagens.


São as janelas que se abrem do Líbano.


(fragmentos do texto Um minarete para uma paisagem íntima, de Ivair Reinaldim)



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