Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Fabiano Araruna (RJ)

1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

Eu acredito muito na idéia de que: grande parte das renovações - sejam elas no esporte, nas artes, ou no que quer que seja – nascem da mente inquieta da juventude. Mas, infelizmente, os artistas da minha geração parecem ter como principal interesse entrar para essas exposições para elevar o seu prestígio ou para acrescentar os nomes das instituições de peso no currículo e em seguida conseguirem exposições maiores. Os salões deveriam ser espaços de guerra, um campo aberto para que os artistas participantes duelassem mais, dialogassem mais, debatessem mais. Já que, mostrar trabalho eu posso mostrar no Facebook e toda a comunidade artística vai ver...eu só não vou ter um carimbo de uma galeria.


2- Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

O trabalho que eu criei para o Novíssimos foi justamente com o objetivo de saber se teria alguma galeria disposta a falar abertamente sobre esses assuntos ligados ao acesso à arte e ao seu circuito, que sempre se mostrou como um grupo fechado. Não espero nada de salões há muito tempo, a grande maioria deles não dá um centavo sequer para o artista produzir um trabalho legal, a divulgação é meio tímida ainda, não há encontros com os artistas antes do vernissage, nem durante a montagem, nem depois que a exposição encerra. A minha trajetória artística depende de um diálogo que eu deveria ter com a sociedade, porque meu trabalho é criado a partir das impressões que eu tenho dela. Para ouvir se estou desenhando certo ou errado, vou pra faculdade. O salão é um evento público, é para a cidade usufruir. É só quem usufrui é o próprio circuito de arte.
Acho desnecessária a grande quantidade de artistas por salão, expondo no máximo dois trabalhos, se eles próprios nem se conhecem e se encontram na abertura só para socializar, desperdiçando um momento único para um bom debate. Não há Amizade nem Rivalidade, como vejo em outros campos da cultura ou no esporte. Acho esse espírito fundamental para a superação dos nossos próprios limites, para as renovações.


3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Amigos, Mapa das Artes, Canal Contemporâneo. O Novíssimos é um salão muito conhecido aqui no Rio de Janeiro.


4- De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

Como eu estou expondo um trabalho que é uma espécie de manifesto, ele não tem muito a ver com o resto da minha produção. Ele tem muito de mim, que tenho um pé atrás com essa estrutura do circuito de arte. Certos detalhes como esse comportamento artificial das pessoas, até acabam criando uma relação com as outras coisas que eu faço...


5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?

...pois, meu trabalho fala das coisas artificiais.

NOVÍSSIMOS 2011 ___ Clipping Jornal do Commercio



Em entrevista ao Jornal do Commercio,
Ivair Reinaldim apresenta a proposta de NOVÍSSIMOS 2011

Reportagem de Bianca Mello / Caderno Artes, 26-28 agosto

NOVÍSSIMOS 2011 - Últimos dias



Últimos dias para conferir a coletiva NOVÍSSIMOS 2011!
Até 2 de setembro.

Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Daniela Seixas (RJ)

1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

Porque é importante para o artista alguma forma de mostrar, de obter alguma reação do seu trabalho, testar os espaços e meios expositivos, e o salão ainda é um dos modos disso acontecer. Portanto acho que faz parte do interesse a chance de experimentar reações e até em alguma medida “públicos” diferentes, abrir e ampliar o impacto que o trabalho tenha a oferecer. Isso vale tanto para o desenvolvimento do trabalho mais diretamente como para as diferentes nuances de algum tipo de inserção em um circuito de arte em questionamento e reconstrução. Além do estímulo que é a reformulação de alguns salões, com propostas interessantes de seleção, curadoria e um acompanhamento maior do trabalho, como foi o caso do primeiro salão que participei no ano passado, em Itajaí. Tudo isso tem tornado o salão algo além de um “atestado” e uma pequena vitrine, se mostrando em algumas etapas um desafio mais colaborativo e interessante de inserção e convivência.


2- Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

A participação se faz importante pelo querer e pela necessidade de desafiar o próprio trabalho e as camadas de tarefas que o envolvem nesse contato com o mundo. Com certeza passar por esse processo do salão faz parte desse desafio. Desafio somado ao fato das coisas boas do projeto - o olhar de pessoas interessantes e o contato com trabalhos de um grupo de artistas de lugares e pesquisas diversas (os de agora e importantes artistas de outras edições também) - acabarem sendo acrescidas ao meu trabalho, fazendo agora de algum modo parte do meu percurso. E por fim acho que a importância está em agregar mais pessoas-percursos na conversa e no, às vezes solitário, convívio entre os trabalhos.


3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Eu já conhecia o salão e a galeria, mas amigos enviaram emails com o edital avisando e incentivando a mandar.


4- De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

O trabalho exposto faz parte de um processo que eu já havia começado quando fui notando a maior importância do ato de desenhar, escrever e de pequenos gestos de inscrição, fazendo do vídeo um importante aliado dos trabalhos. Os trabalhos expostos de alguma maneira ratificam a necessidade de estar desavisadamente atenta às pequenas surpresas (como uma gota sobre a linha ou o ventinho oferecido pelos papéis). Prestando atenção nesses trabalhos e no conjunto, acho que a compreensão deles passam pela importância de ações simples que procuram desencadear o pensamento de algo inapreensível ou breve e contundente, como é o caso de uma brisa ou de um desenho. Nesse sentido, por exemplo, borrar a linha de escrita e sugerir alguma referência ao mar - sabendo que qualquer que seja será sempre uma tentativa frágil- é um modo de desaguar algumas dessas experiências com as linhas, com as palavras, e com essa fragilidade diante do mundo e seus objetos de um modo mais claramente íntimo.


5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?

O desenho sempre foi um condutor do meu trabalho, visto que foi a compulsão pela ação de desenhar que de alguma maneira deu início a todas as outras coisas, inclusive a questão da escrita e o encantamento com os materiais do seu entorno. Gostaria às vezes de poder falar que o processo surge exatamente disto e ocorre assim, mas geralmente eles vêm de impressões, modos e estalos muito diversos para dar conta tão rapidamente de sua procedência. O processo investigativo é sim suscitado por alguns materiais de inscrição, papéis, linhas já prontas e desenhos no mundo (porque ele provoca a gente o tempo todo e de vez em quando temos que dar alguma resposta). Mas de fato são as pequenas transformações, gestos e ações em volta desses objetos e fazeres cotidianos que me interessam. De repente, um material, uma frase, uma palavra, uma sensação, qualquer coisa te surpreende e dá vontade de devolvê-las de algum modo. Porque as coisas batem em nós, algumas fincam, outras transpassam ou deixam marcas, ou até mudam a nossa textura. Tento ser essa superfície para que os trabalhos tenham terreno para existir.

Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Bianca Bernardo (RJ)

1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

Bom, eu acredito que possa responder pela minha experiência. É a segunda vez que participo de um salão nacional, o primeiro foi no ano passado, em Itajaí. Eu me lembro da vontade de participar que nasceu, não somente em mim, mas em muitos outros, um desejo-comum que levou grande parte dos artistas a viajar para montagem e abertura do salão. Ele aproximou pessoas e suas zonas de processos criativos, costurando laços de afetos entre os artistas e a cidade. Com o Novíssimos, também nasceram múltiplos diálogos, nas experiências de convivência entre as obras, em ações que incentivam essas trocas, como essa entrevista, por exemplo. Curioso perceber que re-encontrei no Novíssimos com artistas que também estiveram em Itajaí, visitando ou participando do salão.

2- Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

Toda exposição artística é uma enunciação, um gesto importante, exercício de escrita no espaço através de escolhas e enfrentamentos. O Novíssimos possui história, um percurso de ações desde os anos 60. Muitos dos artistas que foram premiados anteriormente são artistas com os quais me interessa muito estabelecer uma conversa... Receber e dividir o prêmio com Daniela Seixas foi uma surpresa feliz, reconhecimento do nosso trabalho, também uma proposta de conexão entre as trajetórias individuais. Estou certa que este tipo de projeto desperta uma vontade de continuidade, existem fluxos nessas relações. Agora começaremos a pensar nas exposições individuais para 2012, o que vejo como um convite desafiador.

3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Sim, eu já conhecia a Galeria Ibeu, visitei algumas vezes... Vi esse espaço se transformar com a reforma, ganhou amplitude e luminosidade. Sua localização e construção também chamam minha atenção. A Galeria Ibeu está localizada no coração de Copacabana, possui uma parede de frente toda envidraçada, o que possibilita uma relação de transparência na arquitetura. O movimento contínuo das ruas, ruídos, construções, passantes, moradores e trabalhadores estão em imediata
interação, se atravessam e tangenciam a todo tempo, gosto de pensar nessas camadas que envolvem o lugar...

4 - De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

É uma pergunta interessante. Acho que primeiro há uma questão de pensar sobre a representatividade da produção artística, e como ela pode ser acionada por uma exposição coletiva, seja com outros artistas ou numa individual. Estou apresentando três trabalhos em diferentes mídias no salão, porque meu processo não está focado no desenvolvimento de uma pesquisa dentro de uma especificidade técnica, mas precisa querer experimentar diversas linguagens, a partir do que posso estruturar de um pulso poético inquietante.


5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?

O quanto nós podemos pensar a nossa prática? Parece cada vez mais claro a necessidade de pensarmos o que estamos fazendo, para que estamos fazendo... A maneira como nos colocamos no mundo, como exercitamos essa prática artística é um ato político, o que não tem nada que ver com partidarismo e politicagem. Em particular, existe uma questão com o tempo dentro do meu trabalho. Pretendo ser sempre um agente do indefinido, o estrangeiro, para quebrar o que chamamos "habitual", des-naturalizar a percepção comum do mundo, no sentido de seu comodismo e anestesia. Arte para mim é correr riscos, assumir a descontinuidade, o fluxo, a experiência.

Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Virgílio Neto (DF)

1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

O artista está sempre buscando um espaço para seu trabalho; principalmente o artista jovem, que ainda não possui tantas facilidades de articulação para encontrar esse espaço. Quando falo de espaco, não me refiro somento em relação ao espaco físico da galeria. Falo de um espaço onde o trabalho possa existir dentro de uma cena; onde ele dialogue com outros trabalhos, passe por uma curadoria, onde ele possa ser visto por pessoas que participam e constroem essa cena (artistas, curadores, críticos, donos de galerias, diretores de instituições, etc.)

2- Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

Pra mim foi ótimo estar no Rio e conhecer algum dos artistas, o curador, conversar, fazer contatos, saber-se inserido num cenário onde existem artistas jovens que acreditam no seu trabalho e o exercem de forma coerente; isso dá força pra continuar no seu caminho, produzindo. Além de ser muito importante pro artista ver seu trabalho com uma certa distância, fora do ateliê, ali na galeria ao lado de outros trabalhos. Isso ajuda você percebê-lo e criticá-lo de outras formas. Os Salões de arte ainda tem um problema que é de só poder mostrar um recorte muito superficial da obra e pesquisa de cada artista, então cabe ao artista e ao organizadores do Salão de buscar opções para contornar essa questão e tentar ir além da exposição.

3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Fiquei um ano morando fora, produzindo livremente sem participar de exposições ou submeter meu trabalho à galerias ou editais. Então esse ano resolvi que era hora de me procurar me inserir dentro de um circuito de arte, e pra isso percebi que os salões poderiam ser uma boa opção. Pesquisei editais que eram coerentes ao meu perfil e ao meu trabalho, e o Novíssimos foi um deles. Sendo de Brasília, ainda não tinha visitado a Galeria Ibeu, só ouvido falar, mas fiquei feliz de participar do Salão e ver trabalho que todos fizeram.

4- De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

Os desenhos que estou expondo nos Novíssimos fazem parte de uma nova pesquisa que comecei a desenvolver esse ano. Estava insatisfeito com meu trabalho, então criei algumas "armadilhas" pra mim mesmo a fim de que eu tomasse outros rumos dentro do trabalho. Confesso que são desenhos ainda um pouco misteriosos pra mim, mas que continue assim; o entendimento completo também é a morte do trabalho.

5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?
Ainda estou "tateando" o mundo. Buscando meus interesses, meu medos, criando diálogos com artistas que adimiro, observando coisas que me encantam e me assustam. E no momento utilizo o desenho pra ser o canal entre esse "eu artista" e o mundo. O desenho carrega essa coisa interessante de poder ser ao mesmo tempo obra e registro do processo. Me interessa a imagem, a fotografia, ilustrações, paisagens... e transfiro esse interesse de forma pictória pro meu trabalho. Também tenho pesquisado e me envolvido muito com o feitio do desenho: os materiais, texturas, papeis, as pequenas delicadezas e a sensualidade dessa técnica.

Atualizações e Clippings NOVÍSSIMOS 2011


A cada edição de NOVÍSSIMOS nos surpreendemos com a diversidade de pesquisas artísticas de nosso país. E tem sido gratificante conhecer um pouco mais de cada artista-pesquisador que participa de nosso Salão através do contato por emails, blogs, feeds de notícias, como também por diversas conversas com todos os NOVÍSSIMOS que já conhecemos pessoalmente na Galeria.

Quando o crítico Ivair Reinaldim propõe a imagem de um Mergulho para compor o texto e a expografia de NOVÍSSIMOS 2011, percebemos que a ideia de fluxo e movimento são uma das possibilidades de leitura para este Salão:

"Somos convidados então a agir, a participar, a assumir um ato de partilha. E nisso há a compreensão daquilo que nos une, espectador e artista, obra e observador, o eu e o Outro. (...) Esses 22 artistas, de histórias tão diferentes e tão específicas, e suas propostas, tão diversas e tão complexas, de algum modo trataram em comum não do corpo, mas de uma ação que ocorre através e além de um corpo, físico, psicológico, imaginário, social, cultural, de um ato que dobra e se desdobra, vela e se desvela, vem à superfície ou mesmo se esconde nas profundezas das águas remotas e turvas."

Para quem ainda não conferiu este salto afetivo, ainda há tempo: NOVÍSSIMOS continua em cartaz até o próximo dia 2 de setembro, de segunda a sexta, no horário das 13h às 19h, na Galeria de Arte Ibeu.


(Clique nas imagens acima para ler notícias e blogs de alguns artistas participantes desta edição de NOVÍSSIMOS)

Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Cristina Amiran (RJ)

1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

Acredito que a participação em salões seja importante para a inserção do trabalho de novos artistas no circuito de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro. Com a extinção do Salão Carioca e dos tradicionais “salões de arte”, existem poucas alternativas para jovens artistas mostrarem suas pesquisas e desenvolvimento de trabalho.

2- Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

A de estar somando e participando do trabalho do outro, em diálogo com uma proposta curatorial, além de fazer parte da história do Salão. Para o amadurecimento do trabalho e como estímulo de novas investigações.

3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Pelos canais de divulgação de arte. Tanto o Salão quanto a Galeria Ibeu.

4- De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

Existe uma autonomia nos vídeos expostos na Galeria, sendo que esses trabalhos fazem parte de uma série em desenvolvimento, que chamo de “videoworks” – onde investigo “passagens” de curta duração de espaços em trânsito. Esse trabalho se complementa com as séries fotográficas.

5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?

O meu processo de investigação acontece pela observação de aspectos do meu cotidiano; trabalho com “deslocamentos” e na curiosidade provocada por sentimentos e acasos – a fotografia e o vídeo são os principais meios e fontes de estímulo, experimentação e sentido para a minha vida.

Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Ismael Monticelli (RS)

1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

Considerando a exposição uma forma recorrente de comunicação da Arte, creio que o interesse dos jovens artistas em participar de salões concentra-se na necessidade de estabelecer diálogo com seus pares - artistas, curadores, críticos, etc. - e com o público. Uma possível resposta para esta instigante pergunta - levando em consideração a complexidade do assunto - talvez se concentre na missão do salão em encontrar sentidos contundentes em um país de dimensões continentais, contemplando, de certa forma, a conexão entre diferentes pólos de produção da arte. Coloca em diálogo artistas que, certamente, poderiam dialogar, mas, talvez, nunca encontrariam oportunidade de estar reunidos em um mesmo tempo e espaço. Não podemos esquecer, também, que o ato de expor, para um jovem artista, significa construir sua própria denominação. Um artista transforma-se em um artista no momento em que, efetivamente, expõe seu trabalho (ex: um curso de graduação em Arte nunca fornecerá, em sua conclusão, um diploma que confira o título de artista). A participação nos salões, talvez, represente uma oportunidade de iniciar ou dar continuidade para a constituição e consolidação de um campo de atuação.

2 - Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

Como comentei na resposta anterior, creio que seja uma grande oportunidade de coloca em diálogo artistas que, certamente, poderiam dialogar, mas, talvez, nunca encontrariam oportunidade de estar reunidos em um mesmo tempo e espaço. O Salão Novíssimos, nos últimos anos, vem atingindo uma amplitude geográfica maior, transformando-se em uma amostragem da produção jovem do país. Ainda considero a distância geográfica um problema evidente para quem não se encontra presente no eixo Rio/São Paulo, apesar dos meios de comunicação auxiliarem na diluição do limites territoriais. Porto Alegre possui um sistema artístico em plena formação, sintetizado no surgimento e consolidação de algumas instituições, que, no entanto, ainda permanecem olhando para o que é produzido fora do estado. Em determinado contexto, programas de incentivo a jovens artistas são bastante tímidos e, muitas vezes, inexistentes. Mas, felizmente, isto está mudando. Creio que o programa Novíssimos esteja exercendo um papel ímpar, na medida em que desmaterializa efetivamente as barreiras geográficas, colocando lado a lado produções artísticas emergentes, por meio de um processo seletivo idôneo e transparente, enfatizando qual deve ser o perfil do selecionado – um pesquisador. De fato, isso representa novas direções, credibilidade e incentivo para a trajetória dos jovens artistas selecionados.

3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Fiquei sabendo das inscrições pela internet, tanto pelo blog da galeria, quanto em canais especializados em arte como o Canal Contemporâneo e o Mapa das Artes. Venho acompanhando as atividades da Galeria Ibeu há alguns anos.

4- De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

Acredito que a proposta da exposição adotada para o Novíssimos 2011 diverge da maioria dos salões. Percebe-se que, além de ser uma mostra panorâmica dos selecionados, foram realizados agrupamentos por questões de trabalho, evidenciando assuntos que, talvez, outra opção de montagem não estivesse disposta a privilegiar. Fui agrupado no núcleo “Tempo e Registro”, juntamente com os colegas Bianca Bernardo e Lin Lima. Pelo diálogo estabelecido, foi possível fornecer instrumentos para compreender os trabalhos em seu conjunto e isoladamente, além de proporcionar relações inusitadas, fazendo-nos repensar os trabalhos apresentados.


5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?

Geralmente, o trabalho é iniciado pela formação de uma imagem mental e por anotações, desenhos esquemáticos e projetos de computação gráfica. Esta idéia de imagem é trabalhada exaustivamente até que se consolide fisicamente em algum trabalho. Pesquiso referências na história da arte que dialoguem com o que planejo. Interessa-me muito procurar referências em outros campos como na arquitetura, na literatura, na moda, na filosofia, etc. Logo em seguida, inicia-se o processo de consolidação da idéia em algo físico. Encontrando-se neste estágio, tudo pode mudar, algumas premissas são abandonadas e novos desdobramentos surgem. Meu tema de pesquisa concentra-se no intervalo, na suspensão. Atualmente, estou trabalhando sob a delimitação da idéia do nada, pensando imagens que não evidenciam uma temática específica, onde persiste a idéia de indivíduos fazendo ações nenhumas. Busco, atualmente, referências na literatura, em especial, nos textos de Samuel Beckett.

Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Helô Sanvoy (GO)

1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

Os salões são uma oportunidade para os jovens artistas mostrarem seus trabalhos, de receberem críticas e de verem como seus trabalhos dialogam com a produção contemporânea. Vejo que os salões ainda cumprem com esse papel de inserção ao meio artístico. Que de um modo em geral não é compartilhado pelos museus e galerias. Isso acaba estreitando as possibilidades de inserção desses artistas nos meios expositivos.



2- Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

Quando vou mandar uma proposta para um edital, sempre procuro olhar sua trajetória, quais os artistas que participaram, o local de exposição, a comissão de seleção, os aspectos que formam o salão em geral. Essa pesquisa básica me ajuda à escolher uma determinada proposta para determinado lugar. Moro em Goiânia, uma cidade que está fora do grande eixo de arte brasileira, mas que tem uma produção significativa. Expor no Novíssimos é uma oportunidade de estabelecer relações entre a produção de arte que está acontecendo em Goiânia com a do Rio de Janeiro.

3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Já conhecia o Novíssimos e a galeria Ibeu. Costumo ver notícias sobre exposições que acontecem na galeria.

4- De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

Gostei muito da exposição e especialmente de alguns trabalhos, é um grande desafio juntar pesquisas tão distintas e encontrar pontos que relacionem uma proposta com outra. Gosto muito de trabalhos que discutem o espaço, o vazio, a ausência, seja através dos materiais ou de forma conceitual. Trabalhos como da Bianca Bernardo, Cristina Amiran, Daniela Seixas, Laila Terra e Ana Dantas, seja pela ausência, deslocamento, escrita... de alguma forma possuem elementos que dialogam com minha pesquisa.

5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?

Atualmente estou trabalhando com as possibilidades do texto como material estético, utilizado a linguagem do desenho. Meu trabalho parte da leitura de alguns materiais, e a partir dessas leituras o trabalho vai surgindo. Vejo-os, como uma transição desse período de leitura para o desenho, como uma relação dos fenômenos que acontecem nesse período. Uma espécie de estética da teoria.

Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Lin Lima (RJ)

Como parte das atividades Expo-Gráficas de NOVÍSSIMOS 2011, Ivair Reinaldim propõe aos selecionados uma pequena conversa-entrevista que objetiva ampliar as discussões quanto ao papel dos salões na formação e carreira do artista, como também apresentar um pouco mais de cada pesquisa desta edição de NOVÍSSIMOS.

Conheça agora um pouco do processo de Lin Lima (Niterói, RJ).


1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

É preciso mostrar o trabalho de alguma forma, colocá-lo à prova, dar a "cara à tapa", e nesse sentido os salões ajudam, principalmente quando se está em começo de carreira. Se a proposta do salão agrada ao artista é interessante querer participar.


2- Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

A meu ver durante algum tempo o salão perdeu credibilidade. Talvez por comodidade ou pelo desgaste que a idéia de salão passou a ter. Ou mesmo por qualquer outra razão que eu, ainda engatinhando em arte, não saiba explicar. Felizmente houve uma oxigenação na organização e curadoria e o interesse por parte dos artistas aumentou. Essa mudança atinge também os artistas, que por sua vez encaram com mais seriedade o projeto sugerido. É importante saber que agora fazemos parte da história do salão, aumentando a responsabilidade em relação aos próximos objetivos.


3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Já conhecia o salão e a galeria. Há uns quatro anos me inscrevi pela primeira vez e antes disso já ouvia falar do salão.


4- De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

Meus trabalhos surgem, em sua grande maioria, da experiência in loco, raramente faço projetos ou planejamentos. "Luz contínua" é um dos exemplos mais claros disso. Eu estava ali, a coisa começou a acontecer...


5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?

Essa pergunta começou a ser respondida na anterior. Busco sempre uma simplicidade na execução que trago desde pequeno, nunca gostei de complicar e quanto mais simples melhor. Tempero isso com muita paciência e persistência, e o resultado às vezes parece intrincado, mas a execução é sempre muito simples. Trabalho bastante a questão do desenho, mas a fotografia tem sido um grande desafio. Antes de saber que me tornaria artista olhava para determinadas situações, fazia minhas conexões lógicas ou imaginativas e sempre queria mostrar a alguém, fazê-las participar daquilo de alguma forma. Ainda tento isso e a fotografia está sendo uma grande aliada. Acho que tá começando a funcionar. De resto é "deixe-me ir, preciso andar"...