2011 | Folders de Júnior Suci e Rodrigo Mogiz



Clique nas imagens para acessar o folder das exposições Minhas pequenas vitórias (Júnior Suci) e Com quem você tem bordado? (Rodrigo Mogiz).

2011 | Júnior Suci e Rodrigo Mogiz - Fotos da Inauguração

2011 | Clipping Canal Contemporâneo - Rodrigo Mogiz

2011 | Clipping Veja Rio





Clipping Veja Rio: Júnior Suci e Rodrigo Mogiz na Galeria Ibeu
Inauguração na próxima quarta dia 23/03!

2011 | Com quem você tem bordado? - Texto crítico de Humberto Farias

Com quem você tem bordado?
Humberto Farias


Rodrigo Mogiz nos mostra, em sua individual, uma série de trabalhos que discutem tradição, memória e relações cotidianas. O bordado é a sua investigação, é a memória de um fazer artesanal e familiar, de sua relação com o teatro e a música, com a moda e com seus devaneios. Narrativas de situações possíveis e certas vezes oníricas. Histórias vividas e idealizadas.

O artista trabalha com o repertório do fruidor, utilizando objetos que fazem parte do dia a dia das pessoas, como tecidos bordados e almofadas. Ele produz esses objetos e retira sua funcionalidade examinando e recolocando, dentro de estratégias artísticas, o lugar por eles ocupado. E qual seria esse lugar? O lugar onde fantasias e desejos se encontram?

Procedimentos e tradição são ferramentas utilizadas nas narrativas do artista. Podemos verificar, na construção do desenho/bordado, sutilezas de composição sobrepostas de maneira a construir uma espacialidade no campo da representação. As velaturas, as aguadas e as formas difusas remontam à construção da pintura clássica por intermédio da espacialidade que nos é apresentada. Porém, de forma ambígua, Mogiz evidencia a materialidade dos suportes empregados: expõe a linha de costura, as entretelas e uma variedade de pequenos objetos apropriados que ornamentam suas obras. A gravata de uma personagem, a fruta desejada, as flores, corações, coroas e botões são reais e não mais representados, como na pintura ou no desenho. A apreciação das obras do artista possibilita experienciar concretamente o que Catherine Millet apontou com relação à arte contemporânea: o objeto apresentado pelo artista não é mais a sua representação desenhada, é ele sendo ele mesmo.

“Com quem você tem bordado?” é um convite a experimentar visualmente esse universo habitado por histórias possíveis e idealizadas, poesia, prazer e dor, universo que, para Rodrigo Mogiz, se complementa com a inclusão do outro.

2011 | Minhas Pequenas Vitórias - Texto crítico de Fernanda Pequeno

MINHAS PEQUENAS VITÓRIAS
Fernanda Pequeno

A opção de Júnior Suci pelo desenho é consciente, mas a seriedade de sua pesquisa não exclui o viés lúdico. O artista investiga as possibilidades gráficas contemporâneas com rigor, através de linhas tensas e vibrantes - embora não-violentas ou nervosas -, utilizando um traço descontínuo, que propõe o esfacelamento de narrativas, através de cortes em cenas construídas por ele. Sem se restringir a um único suporte, Suci tem levado as questões que lhe interessam também para outros meios, explorando, a partir de 2010, o vídeo (pela eficácia como imagem, e pela necessidade de efetivamente encenar um personagem relacionando-se com diversos objetos, e com o seu próprio corpo). Desse modo, enfatiza o caráter processual do desenho que, como um jogo, pode ser reiniciado, remontado e reencenado ad infinitum. A sua referência, assim, para além da tradição gráfica, parece ser o cinema, pois seus trabalhos oferecem closes e diferentes enquadramentos de singelas “brincadeiras” que ele realiza privadamente, sem que esse tom prosaico lhes tire a sua potência epifânica.

Não é de hoje que o jogo vem sendo explorado por suas possibilidades estéticas: assim como a arte é um excesso necessário - aquilo mesmo que diferencia o homem como ser humano -, o jogo configura-se como uma forma poética de passar o tempo, que caracteriza o indivíduo como homo ludens. Marcel Duchamp foi o primeiro a enunciar o xadrez como a obra-de-arte ideal, mas, antes dele, Charles Baudelaire havia proposto uma “Morale Du Joujou”, falando que o brinquedo representaria as ideias da infância sobre a beleza, a iniciação do indivíduo na arte. Como para o poeta francês o artista seria “homem do mundo, homem das multidões e criança”, naturalmente há um elogio dessa “infantilidade”. Partindo dessa premissa, Júnior Suci, normalmente sozinho, imagina e executa gestos, capturando-os através do desenho e do vídeo, marcando situações reais ou arquitetadas, não necessariamente realizáveis. Esse dado de fingimento - presente também nos jogadores que levam esse prazer-lazer a sério - é utilizado para enfatizar aspectos, poses, força e vitória de objetos sobre o corpo, ou interações desse consigo mesmo, na busca pelo que Júnior denomina “bem-estar”.

Nessa primeira exposição individual que Suci realiza no Rio de Janeiro, então, trazemos relações de seu corpo com objetos, tais como: penas, gelo, bolhas de sabão, copos, pregadores, ventilador, etc. As séries: erótica, “Meus pequenos talentos”, “Precisei ver meu fôlego”, "Ensaiei meu vôo", "Minhas pequenas dependências”, entre outras - presentes na Galeria de Arte Ibeu -, foram escolhidas pela delicadeza e pelo flerte com as ideias de brincadeira e busca de felicidade. Montados a partir de diálogos formais e temáticos, os trabalhos, embora sejam fragmentos de narrativas, sugerem um trajeto a ser percorrido, tal como em uma partida. Mas a grandiosidade dos pequenos gestos que o artista realiza e “registra” cotidianamente não os confina à diminuta dimensão dos papéis utilizados. Ao contrário, essa vida em miniatura, em plano-detalhe, muitas vezes soa mais reluzente do que a vida real. E se o desenho pode ser encarado como procedimento intelectual, materialização de uma ideia, por outro lado, também lida com aquilo que não está previsto. Sua função inicial de inscrição, dessa forma, dá lugar a usos imaginativos.

É nesse sentido que a caracterização que Walter Benjamin faz do grafismo como sendo horizontal, aquele que é impresso - enquanto a pintura seria vertical, aquela que se levanta -, nos faz pensar no mosaico do chão e no repouso das tumbas, por um lado, mas também nos tabuleiros de jogos e nos rabiscos a giz que nos levam ao céu, após saltos aleatórios em cima de números sobre uma perna só. Se há competição, no jogo os parceiros são fundamentais, considerados colaboradores, mesmo quando adversários. Dessa maneira, os espectadores de “Minhas pequenas vitórias” receberão alguns prêmios, confirmando que o triunfo está no prazer de jogar, muito mais do que propriamente na rivalidade ou no ganhar. Se a verdadeira vitória está em partilhar este ritual, por um instante teremos a proposição de um outro tempo: mais moroso e cheio de desejo, porque não-pragmático. E é exatamente aí que reside a sua capacidade crítica, pois nas aparentemente despretensiosas ações que Júnior Suci pessoalmente marca em pequeninos papéis, parece caber muito da intensidade da vida e da arte.

2011 | Rodrigo Mogiz - Com quem você tem bordado?


Rodrigo Mogiz - Com quem você tem bordado?
Abertura: 23 de março, às 20h

2011 | Júnior Suci - Minhas pequenas vitórias


Júnior Suci - Minhas pequenas vitórias
Abertura: 23 de março, às 20h

2011 | Última semana para conferir A Casa em Festa !

A Casa em Festa
Até 4 de março (sexta-feira)